<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981</id><updated>2011-05-24T07:10:28.050-03:00</updated><title type='text'>A rotina tem seus encantos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>100</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7140054622793164776</id><published>2008-01-17T23:17:00.000-02:00</published><updated>2008-01-17T23:19:51.145-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Holly Sonnets, X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Death, be not proud, though some have called thee &lt;br /&gt;Mighty and dreadful, for thou art not so ; &lt;br /&gt;For those, whom thou think'st thou dost overthrow, &lt;br /&gt;Die not, poor Death, nor yet canst thou kill me. &lt;br /&gt;From rest and sleep, which but thy picture[s] be, &lt;br /&gt;Much pleasure, then from thee much more must flow, &lt;br /&gt;And soonest our best men with thee do go, &lt;br /&gt;Rest of their bones, and soul's delivery. &lt;br /&gt;Thou'rt slave to Fate, chance, kings, and desperate men, &lt;br /&gt;And dost with poison, war, and sickness dwell, &lt;br /&gt;And poppy, or charms can make us sleep as well, &lt;br /&gt;And better than thy stroke ;  why swell'st thou then ? &lt;br /&gt;One short sleep past, we wake eternally, &lt;br /&gt;And Death shall be no more ;  Death, thou shalt die.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Donne.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7140054622793164776?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7140054622793164776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7140054622793164776&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7140054622793164776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7140054622793164776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2008/01/holly-sonnets-x.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7599788942506817487</id><published>2007-12-22T18:38:00.000-02:00</published><updated>2007-12-29T15:21:58.322-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Porque “Tropa de Elite” é um bom filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado um pouco o furor que precedeu e cercou a exibição de “Tropa de Elite”, acredito que ainda se faz necessário um esforço de esclarecimento a respeito do assunto do filme; sobretudo levando-se em consideração o fato de que, por tudo o que li e ouvi até agora, seu conteúdo foi largamente mal avaliado. O equívoco na interpretação do argumento deve-se em grande parte às próprias características de seu meio, uma obra de ficção. A escolha de se apresentar um argumento medianamente complexo ao modo de um filme tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem reside no alcance e penetração que este tipo de discurso possui, mas o seu reverso é a falta de clareza conceitual, característica intrínseca à ficcionalidade. Seja como for, “Tropa de Elite” produz uma intervenção contundente no debate público a respeito da segurança pública, e seus termos devem ser corretamente aprendidos, ainda que seja para se lhes opor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, não se trata de um elogio ao Bope, nem me parece ser a intenção dos autores heroicizar o seu narrador, o Capitão Nascimento. Se o argumento foi entendido dessa maneira, isso se deve a uma falha ou de virtude intelectual ou moral do público, sugerindo a desoladora constatação de que a situação descrita pelo filme tende a se perpetuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, de que trata então o filme? O enredo vai se cosendo como uma narrativa clássica de “romance de formação”, em que o personagem, interagindo em contextos diversos, vai aos poucos superando suas contradições até realizar seu “destino”. Terrível destino, devo dizer; porque a formação em questão é a de um “monstro”. Refiro-me ao aspirante a oficial da polícia e também aluno do curso de Direito na Universidade Católica do Rio, André Matias, interpretado por André Ramiro. André, pobre e negro, vê-se às voltas com a difícil tarefa de conciliar sua inserção numa universidade freqüentada por membros da elite – cujo ethos vai de encontro alguns de seus valores, sobretudo no que diz respeito ao consumo de drogas e às opiniões prevalecentes a respeito da instituição policial – e sua própria carreira como aspirante a oficial da mesma. Ao mesmo tempo, André tem suas aspirações virtuosas confrontadas com as seculares práticas de corrupção que cercam sua vivência como policial. É justamente em função deste último embate que se produz o evento que dá início ao filme, e coloca André diante de seu Mefistófeles, o complexo Capitão Nascimento, comandante de uma unidade de elite da polícia carioca, originalmente criada para atuar em situações excepcionais. Ao mesmo tempo narrador do filme, Nascimento não é simplesmente um “agente do mal” - ainda que seja ele o responsável direto pelo desvio do herói (André) -, mas um experiente policial, dilacerado entre as pressões privadas, familiares, e seu dever como policial. Sempre à beira de uma crise nervosa, Nascimento, obrigado a trabalhar numa situação limite, acaba aderindo a práticas de violência e tortura que transbordam das suas prerrogativas. Paradoxalmente, Nascimento é absolutamente lúcido a respeito de seu contexto, é absolutamente cônscio dos limites da ação individual dentro de um arranjo socioinstitucional distorcido, incapaz de prover os incentivos necessários ao cumprimento da tarefa da segurança pública de maneira virtuosa, ou mesmo eficaz. Nascimento encarna então a figura dramática do “cético-realista”, aquele que sabedor dos limites, conhecedor da situação, age para atingir um resultado, a contrapelo de sua consciência, sacrificando-a. É esta a lição que dele receberá André, seu discípulo e substituto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afasto-me da trama e passo ao que realmente importa neste filme, o argumento sociológico que subjaz à mesma. É disto que se trata: uma intervenção sociologicamente bem informada num debate político. Convém lembrar que o filme é uma adaptação de um livro escrito por um sociólogo e dois membros do Bope. O drama das personagens e a narrativa do Capitão Nascimento desvelam um panorama da situação da segurança pública da cidade do Rio de Janeiro, com extrapolações possíveis àquela de todo o país. O próprio Nascimento e a sua atuação no Bope evidenciam o sintoma mais terrível do estado de calamidade que decorre da corrupção das instituições responsáveis pela segurança do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento é o seguinte: a falência da instituição policial, que envolve uma combinação de policiais mal pagos e mal preparados, muitos dos quais envolvidos em ações criminosas, desde pequenas contravenções, como a venda das peças de suas viaturas e cobrança de propinas, até gravíssimas, como a venda de armamento para traficantes e participação na venda de drogas, em conjunto com muitas outras causas (das quais não trata o filme), produz uma situação em que uma unidade especial, originalmente destinada para atuar apenas em casos extraordinários (“operações especiais”, informa a sigla), treinada para guerra, para matar, torna-se o único recurso de que dispõe o Estado para lidar com o problema da segurança. O resultado é, obviamente, terrível. É como usar canhões para combater nuvens de gafanhotos, mata-se alguns, mas se destrói tudo em volta. A metáfora é ainda insuficiente, dado que o problema em questão envolve pessoas, e não insetos. De qualquer modo, acho que ajuda a esclarecer o ponto. A própria arma, quando usada inapropriadamente, como é o caso da atuação do Bope fora de seu contexto, acaba por corromper-se. Policiais não devem matar pessoas, podem fazê-lo, mas apenas em casos extremos; e policiais não devem torturar pessoas, jamais. Ponha-se uma unidade de guerra atuando repetida e cotidianamente em situações para as quais não foi feita, e temos distorções, tais como a conduta do Capitão Nascimento. Um personagem que, em si não destituído de virtudes, tais como coragem, lucidez e honestidade, tem seu caráter corrompido, porque, obrigado a situações limites, acaba fazendo escolhas erradas. Reside aí a complexidade deste personagem, testemunha da fragilidade humana. Nascimento demonstra o fato de que qualquer aspiração a agir corretamente é facilmente aniquilada dentro de contextos que oneram o correto e premiam o errado. O Capitão Nascimento faz a sua escolha pragmática; atuando no meio deste sistema profundamente corrompido, não o renega, e ainda que sabedor das conseqüências de suas ações aí, cumpre seu dever. Em determinado momento do filme ele avisa a seus superiores que garantir a segurança da visita do Papa a determinado local exigirá incursões diárias a zonas urbanas deflagradas densamente habitadas e, portanto, “vai dar merda, vai morrer gente”; mas ele vai, faz o que lhe mandam, com os meios e resultados que ele e nós conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto do filme é justamente a denúncia desta situação. Através da exposição da brutal irracionalidade da política de confronto direto, única alternativa que a atual situação da segurança pública permite, busca nos sensibilizar para a necessidade imperativa de modificá-la. Este terrível sistema descrito pelo filme - e cuja pregnância empírica é inegável - na melhor das hipóteses produzirá mais e mais confronto direto, mais e mais capitães Nascimento. Não se oferecem soluções específicas a esta situação, porque o objetivo é denunciá-la – afinal, trata-se de uma obra de ficção - de uma maneira bem informada e contundente, mas obviamente sugere-se sua modificação. Esta modificação exige sabedoria e prudência políticas, capazes de articular medidas que envolvam, entre muitas outras, uma reforma da corporação policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo agora à questão da recepção do filme. Como uma análise sistemática da mesma não seria possível, limitar-me-ei, aqui, a contra-arrestar dois argumentos que tem sido recorrentes entre a crítica. O primeiro se refere a uma acusação de fascismo feita ao filme e seu autor. Sem levar em consideração o uso um tanto ingênuo de um conceito complexo como “fascismo”, parto da suposição de que tal acusação se baseia numa incompreensão do argumento, incorrendo, portanto, no mesmo erro daqueles que elogiam o filme pelas mesmas razões (o que me parece ainda mais grave). O erro aqui  consiste em ler o filme como um elogio à política de confronto e às práticas violentas do Bope. Mas trata-se justamente do contrário! Mais uma vez: o filme denuncia a irracionalidade de um sistema corrupto que torna a política de confronto direto, e a violência descontrolada que dela decorre, o único recurso. Através da exposição das suas conseqüências brutais, o filme ataca o contexto, sugerindo sua modificação. Aqueles que acusam o filme de fascismo foram, portanto, incapazes de aprender corretamente o seu argumento, e o criticam pelo motivo errado. Agora, a respeito daqueles que, incorrendo no mesmo erro, ou seja, que leram o filme como um elogio à violência estúpida, e, ainda assim, aprovaram o filme, não há o que dizer. Não há o que dizer porque estas pessoas se situam fora do limites persuasivos dentro quais a argumentação lógica, minha e do filme, pode ser eficaz, na medida em que não compartilham dos valores que a norteiam. A respeito de tais pessoas pode-se apenas dizer uma coisa: vivem a situação que merecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tipo de crítica recorrente ao filme o acusa de apontar o consumo de drogas pela elite e pela classe média como o responsável pela violência. Sem considerar o tratamento um tanto caricato – ainda que não inverossímil -  que se dá às personagens ligadas ao “núcleo PUC”, devo reiterar que o ponto central do argumento é a situação calamitosa da segurança pública, esta sim a grande vilã. No entanto, é verdade também que, sem culpabilizar diretamente a elite e a classe média pela violência, o filme incita as mesmas a uma reflexão sobre suas práticas. O que é muito diferente. O argumento central não exclui, por exemplo, a possibilidade de que a legalização das drogas entre no mix possível de políticas públicas necessárias para a modificação da situação. No entanto, diante da atual situação, ele nos força a pensar seriamente no que fazemos. Dentro do quadro atual, quer nos decidamos ou não pelo uso de drogas ilícitas, é impossível sermos ingênuos a respeito desse uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estímulo à reflexão sobre um determinado contexto e sobre as conseqüências de nossas práticas dentro deste contexto, nisso reside o valor de “Tropa de Elite”. Seu propósito é profundamente político e moral, sugerindo uma transformação radical da situação atual da segurança pública. Ainda que seja uma obra de ficção, sua temática e proximidade de uma certa realidade cotidiana absolutamente terrível não nos deixa espaço nenhum para o distanciamento, e, portanto, não permite o “prazer desinteressado”, característico da experiência estética. Todos os elementos “estéticos” convergem no filme, como forças retóricas, para o reforço do argumento - o que torna a trama e as personagens, às vezes, um tanto esquemáticas. Mas a bem feita construção de um “sistema” e a exposição de suas conseqüências mais terríveis, reforçada pela contundência bruta das cenas de violência explícita, tornam este filme importante. Por isso mesmo, optei neste texto por não analisá-lo esteticamente, mas sim discuti-lo como uma intervenção no debate público, explorando a qualidade e relevância de seu argumento. Apenas neste sentido, posso dizer que “Tropa de Elite” é um bom filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Duarte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7599788942506817487?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7599788942506817487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7599788942506817487&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7599788942506817487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7599788942506817487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/12/porque-tropa-de-elite-um-bom-filme.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-2865669155948964448</id><published>2007-12-18T15:26:00.000-02:00</published><updated>2007-12-18T15:27:51.306-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“...a vida, Senhor Visconde, é um pisca - pisca.&lt;br /&gt;A gente nasce, isto é, começa a piscar.&lt;br /&gt;Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.&lt;br /&gt;Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.&lt;br /&gt;É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.&lt;br /&gt;A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.&lt;br /&gt;Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.&lt;br /&gt;pisca e mama;&lt;br /&gt;pisca e anda;&lt;br /&gt;pisca e brinca;&lt;br /&gt;pisca e estuda;&lt;br /&gt;pisca e ama;&lt;br /&gt;pisca e cria filhos;&lt;br /&gt;pisca e geme os reumatismos;&lt;br /&gt;por fim, pisca pela última vez e morre.&lt;br /&gt;- E depois que morre - perguntou o Visconde.&lt;br /&gt;- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monteiro Lobato, “Memórias de Emília”, 1936.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-2865669155948964448?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/2865669155948964448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=2865669155948964448&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2865669155948964448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2865669155948964448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/12/blog-post.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-6260792299078809141</id><published>2007-12-13T16:53:00.000-02:00</published><updated>2007-12-13T16:55:16.392-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>The Artist&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;One evening there came into his soul the desire to fashion an image of The Pleasure that abideth for a Moment. And he went forth into the world to look for bronze. For he could only think in bronze.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;But all the bronze of the whole world had disapeared, nor anywhere in the whole world was there any bronze to be found, save only the bronze of the image of The sorrow that endureth for Ever.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Now this image he had himself, and with his own hands fashioned, and had set it on the tomb of the one thing he had loved in life. On the tomb of the dead thing he had most loved he had set this image of his own fashioning, that it might serve as a sign of the love of man that dieth not, and a symbol of the sorrow of man that endureth for ever. And in the whole world there was no other bronze save the bronze of this image. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;And he took the image he had fashioned, and set it in a great furnace, and gave it to the fire.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;And out of the bronze of the image of The sorrow that endureth for Ever he fashioned an image of The Pleasure that abideth for a Moment.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Oscar Wilde, Poems in Prose, 1894&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-6260792299078809141?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/6260792299078809141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=6260792299078809141&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6260792299078809141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6260792299078809141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/12/artist-one-evening-there-came-into-his.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7216149030131147226</id><published>2007-11-30T10:24:00.000-02:00</published><updated>2007-11-30T10:27:55.966-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Otelo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;querer o que não se pode dar.&lt;br /&gt;querer tudo, demais, para sempre.&lt;br /&gt;depois nunca mais querer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;querer nunca como se melhor não ouvir a voz.&lt;br /&gt;rejeitar o que nos espelha à superfície&lt;br /&gt;dos olhos nas estátuas decapitadas.&lt;br /&gt;almejar pureza, forçar pureza como virtude.&lt;br /&gt;mas que vagos poros pontuam os corpos sonâmbulos?&lt;br /&gt;que hora exata de sede é essa: de se olhar no espelho&lt;br /&gt;ao fim de uma noite de prevaricações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e logo depois a náusea de ter sede alguma.&lt;br /&gt;ter o que não é possível denominar.&lt;br /&gt;apropriar-se em sangue das ofensas emudecidas.&lt;br /&gt;a compaixão por aceitar a própria indiferença.&lt;br /&gt;o enterro da semente não plantada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7216149030131147226?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7216149030131147226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7216149030131147226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7216149030131147226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7216149030131147226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/11/otelo-querer-o-que-no-se-pode-dar.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-4079002241795046917</id><published>2007-11-04T16:41:00.000-02:00</published><updated>2007-11-04T16:43:45.709-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Meu cadáver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balanço ao ritmo do mar, minha pele embaixo d´água está esbranquiçada. Meus pelos serpenteiam quase imperceptivelmente e meu cabelo preto, longo e denso se espalha. Meus olhos estão esbugalhados e injetados de sangue. Aos poucos sou levado pela maré em direção à praia de Guaratiba, onde um vento forte levanta areia e derruba cadeiras de plástico em volta de uma mesa. Começa uma chuva fina e eu chego à arrebentação. Levo um caldo, reapareço de cabeça para cima e sou expulso por uma última onda. Meus membros estão roxos e minha boca aberta. Em volta de mim,  tatuís correm sofregamente até cavarem seus buracos e desaparecerem. A chuva pára e as nuvens pretas se esticam, dando lugar a um extenso lençol algodoado.&lt;br /&gt; Durante dois dias chuvosos, sou marinado e queimado pelo mormaço.  A praia está deserta, é julho de dois mil e sete e a cidade está muito fria. É o pior inverno nos últimos doze anos. Um grupo de pessoas pobres se aproxima e me avista, eu estou com a boca escancarada com dentes cariados e os olhos comidos pelas beiradas. Elas me examinam com uma curiosidade de latino-americano diante de um acidente de trânsito.  Uma mulher feia, baixinha e gorda se persigna enquanto os outros se contentam em manter uma pequena distância em sinal de respeito. O efeito mais terrível do meu naufrágio fica aparente nas comissuras dos meus olhos: há sal acumulado em toda a beira, e, nas extremidades, o sal forma com a areia e minha secreção ressecada uma pasta opaca que escorreu até minhas bochechas barbadas. &lt;br /&gt; Os três homens e a mulher se perguntam o que devem fazer. O mais fácil seria ignorar que me viram já que ninguém os sabia ali. A mulher sugere que me cortem o cabelo para vender, ela acha que minhas madeixas, que chegavam à cintura, poderiam render ao menos 300 reais. Todos concordaram. Tinham uma tesoura entre seus pertences recuperados no quiosque da praia e a mulher começou a cortar, enquanto os homens faziam a vigilância. Cortava tão rente que feriu meu couro cabeludo. Três pequenos filetes de sangue escorriam por minha careca depois de completo o serviço da assaltante. Partem rápido, com meu cabelo num saco do Prezunic. &lt;br /&gt;    Não fosse o frio e eu já estaria com um cheiro muito mais forte. Meu sangue estancado nas veias me deixa inchado e branco, mas não pareço morto. Não estou perplexo, não estou apavorado, tampouco estou sereno. Meu corpo parece ansiar por uma sutileza. Acho-me bonito careca, quando vivo sempre tive curiosidade de me ver com a cabeça raspada, mas nunca tive coragem de passar a máquina, agora estou muito bonito, como uma figura de Schiele, mas ainda não tão magro e um pouco menos intenso. Minhas pernas estão separadas e estendidas, meu braço esquerdo está sobre minha barriga e o direito ao longo do corpo. Minha cabeça cai um pouco abaixo do nível do tronco por causa de um desnível na areia, deixando meu pescoço ao ar. &lt;br /&gt; Na tarde do meu terceiro dia, aparecem homens com uma maca. Um preto gordo e alto me pega pelos braços e um cearense pelas pernas. Eles estão entediados e se entreolham com um desdém de parceiros na mediocridade. Levado, minha cabeça pende para a esquerda e meus olhos esgazeados apontam para as ondas espumantes, em seguida os trabalhadores manobram e o que tenho frente a meus olhos então é uma encosta verdejante. Mais alguns passos e entro na Kombi, a porta bate num estrépito. O negão arranca, o cearense arrota, e sigo rumo ao IML.&lt;br /&gt; O carro dá muitos solavancos e eu fui muito mal acomodado pelos dois, dou pulos na minha maca, minhas pernas e meus braços pululam a esmo. Passamos por um quebra-molas e o motorista não freia. Eu sou jogado para fora da minha maca, caio de bruços, quebrando um dente e esmagando meu nariz. Depois do susto, o nordestino externa um tsc de desprezo respondido por um não fode. Já estamos na Avenida das Américas.&lt;br /&gt;  Parece ser Domingo, o trânsito flui muito bem. Nosso carro é fechado de repente por um fusca. Minha porta é aberta por um homem com um fuzil que me levanta sem olhar para o meu rosto e me leva até o fusca. O negão e o cearense estão rendidos por dois outro homens armados com sub-metralhadoras Uzi .33. Eu sou jogado no banco de trás do carro minúsculo, os dois outros seqüestradores voltam correndo e se acomodam nos bancos da frente. Arrancamos violentamente, cantando pneu. Eles estão muito excitados, dizem que vão me esquartejar seu filho de uma puta. O plano é colocar pedaços de mim em quatro cantos de uma favela controlada pela A.D.A, eles estão na dúvida entre a vila cruzeiro e a favela dos macacos.&lt;br /&gt;     Me levam pra Rocinha. No sopé do morro, me levam a um beco e sou colocado num saco preto. Em seguida, Catinga me pega pelos braços, Bidu pela perna direita e Solucinho pela perna esquerda. Eles me levam até um barraco no alto do morro, e me colocam no chão. Passam o dia se comunicando com comparsas pelos telefones celulares. O plano é pra que tudo aconteça sem um tiro sequer, minhas partes vão ser colocadas discretamente em quatro pontos da favela vila cruzeiro, decidiram. Em horário de muita movimentação, Bidu, Solucinho, Catinga e talvez Guarani, não esse guarani fala pra caralho, catinga, bora chamar o Túlio. Tá. vão se misturar ao povo da favela. Minhas pernas vão ser colocadas nas duas pontas da base do morro, meu tronco vai pro alto e minha cabeça vai ser jogada em direção ao centro da favela, onde fica o entroncamento das duas ruas principais da comunidade. &lt;br /&gt; Bidu está na cozinha da casa comendo um sanduíche de presunto com maionese, tem na sua mão grossa um canivete que faz rodopiar com um gesto ágil. Ele está sentado num banquinho pequeno; com o pé direito descalço prende a parte de trás do chinelo do pé esquerdo no ar para fazê-lo estalar, soltando-o na casca grossa da sola imunda. Lança olhares agitados em direção à porta da cozinha e em seguida volta o olhar para dentro, assumindo uma pose inquietante, transmitindo a certeza de que pode voltar à superfície com uma determinação inexorável. Cola algumas migalhas de pão francês ao seu dedo indicador e as leva à boca, em seguida joga seu prato na pia, sai da cozinha, e, com uma resolução firme e inquestionável na voz, convoca Catinga e Solucinho, que estão ensinando dois garotos a soltar pipa, para uma reunião. &lt;br /&gt; Solucinho se senta ao meu lado, evitando tocar no plástico preto que me embrulha, por  algum prurido nobre. Catinga fica em pé, recostado à parede do lado de fora da cozinha, rachada por uma infiltração. No meio da sala, Bidu dá as ordens: então Túlio leva uma perna embrulhada em jornal e deixa na entrada de um açougue que tem no começo da ladeira do canto direito. Amanhã eu falo pra ele. A outra perna Catinga vai deixar na casa de uma coroa no começo da ladeira, na outra ponta. A janela fica aberta de manhã então é só chegar sem ninguém ver que tá tranqüilo. –Porra, num açougue, que parada óbvia Bidu!, diz Catinga. È porque ali que é o ponto extremo, não fode. A parte complicada vem agora. É o seguinte: Eu vou ter que chegar no alto do morro, por trás da favela, pra deixar rolar o tronco com os braços do homem borracha até o campinho, que é onde tem o movimento dos alemão. Nessa hora eu sei que lá vai tá vazio, mas eu vou ter que ir pelo mato e sair voado depois.  Solucinho vai tá com a cabeça. Tu vai fazer o seguinte, sabe o prédio que tem ali do lado?, pra jogar a cabeça no meio lá, tu vai ter que subir no último andar, já falei com o porteiro, ele é nosso. Tu vai chegar e vai dizer que é da Rocinha, só isso entendeu?, mais nada. Ele vai te dar a chave do telhado, tu vai subir com o embrulho e vai jogar. Tu mira bem, tu é forte, vê se não faz merda. Depois você vai pro carro que vai tá na frente da caixa econômica federal, já com Túlio e Catinga. Cês vêm me pegar lá atrás do morro, na rua Jequitinhonha. &lt;br /&gt;  Depois do comunicado fez-se um silêncio tranqüilo na casa. Uma sólida cumplicidade emanava dos gestos e olhares. Bidu se levantava do seu banquinho, afastava da porta da geladeira Catinga que, absorto na contemplação de sua submetralhadora, dava dois passos para o lado automaticamente. Solucinho cortava um papel celofane, pra fazer uma pipa pro meu sobrinho, disse. Primeiro saiu Bidu, sem se despedir e sem ser notado, depois foi Catinga com sua arma nas costas. Solucinho ficou até enrolar o papel celofane a dois pedaços de madeira com barbante, e saiu admirando sua obra. Rojões explodindo interrompiam vez por outra o silêncio da noite calma. Risos ao longe ressoavam docemente, chegavam à sala de meu cadáver junto a uma brisa úmida e fria fazendo esvoaçar meu plástico preto.&lt;br /&gt; Por baixo da mortalha, meu rosto perdeu um pouco de sua vontade de delicadeza. Meus olhos, agora baços, parecem os de um velho deprimido depois do banho. Minha pele esmaecida dialoga com as paredes encardidas em sopros mornos. &lt;br /&gt; As primeiras luzes do dia vêm com Bidu e um homem munido de uma moto-serra. Bidu arranca o plástico preto que me envolve, me examina diligentemente e externa, enfim, um grito rouco e visceral essa porra né homem borracha não caralho puta que pariu. Puta que pariu. Chama o filha da puta do catinga aqui. Agora porra! Bidu tremia vermelho, se eu fosse importante ele estaria em maus lençóis, playboy atrai polícia porra, catinga falou que tinha certeza que aquela porra daquela van tava com homem borracha que tinha sido jogado pra fora da cidade de deus, depois que mataram ele lá comendo a filha de Dedé. Porra de Catinga nem olhou pra cara dessa porra.&lt;br /&gt; Catinga chega com cara de sono e intimidado. Jura que tinha certeza que era ele, pede perdão. Ouve contrito o esporro de seu chefe, coçando o escroto vez por outra. Agora o que tu vai fazer é deixar essa porra bem longe daqui não quero corpo de playboy no meu morro, a gente não sabe nem que porra é essa, pode ter sido filho de alguma porra que se encheu de pó e morreu em rave pode ser qualquer porra. Pega o fusca de madrugada e desova essa porra em qualquer lugar da cidade, bem longe daqui, ouviu? Puta que te pariu catinga tu é foda. Bidu, foi Jessé que me falou pelo celular que tinha acabado de sair uma van do iml lá da cidade de Deus com homem borracha, porra, é muita coincidência, naquele dia com as ruas vazias ter tido duas no mesmo trecho. Foi mal, mas também eles são parecidos pra caralho vendo rápido daquele jeito no meio da rua. Porra, mesma altura, até a cara é um pouco parecida. Foi mal, Bidu, mas foi um azar do caralho.&lt;br /&gt; Na madrugada seguinte, catinga me enrolou em outro plástico preto, me carregou com Solucinho até o fusca e partiu pela cidade, sozinho. Conseguiu, às três da manhã, me deixar na praça general Osório, tendo sido visto apenas por um casal de meninos de rua de doze anos que se chupavam sob uma amendoeira e que continuaram se chupando.&lt;br /&gt; Fiquei descoberto em um canteiro eivado de bitucas de cigarro e grãos de milho jogados aos pombos por velhinhas. Meu pênis pendia, como sempre, para o lado esquerdo como podiam ver as mocinhas indo à praia em seus biquininhos módicos. Meus olhos já eram os de um vermelho pescado três dias antes e meu cheiro já competia com o dos mendigos inchados que habitam a praça. Rebolando jovialmente uma cocker spaniel fêmea não se intimidou e me beijou de língua, ao que correspondi prontamente.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvaro Fagundes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-4079002241795046917?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/4079002241795046917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=4079002241795046917&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/4079002241795046917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/4079002241795046917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/11/meu-cadver-balano-ao-ritmo-do-mar-minha.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-6416372544533322279</id><published>2007-10-28T15:23:00.000-02:00</published><updated>2007-10-28T15:24:31.829-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>paixão das ruas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela emerge do peito da noite vestida apenas&lt;br /&gt;(amor dos becos e das almas clandestinas) &lt;br /&gt;com sonhos biliares e mil cílios venenosos,&lt;br /&gt;(vertigem de espuma no vento enegrecido)&lt;br /&gt;e ela foge por dentro do oco das entranhas&lt;br /&gt;do amor que permanece, não estando vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela que me dispersa com seus olhos de cera,&lt;br /&gt;no fio entre os fatos e suas ilhas flutuantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;à meia-noite, me compõe versos satânicos,&lt;br /&gt;ao amanhecer, sou todo ossos caramelados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela que é tudo que passa dentro das valises,&lt;br /&gt;por baixo das marquises do núcleo em transe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cordilheira espiã das madrugadas agonizantes, &lt;br /&gt;por que você, que é também minha assassina,&lt;br /&gt;(amante só quando me denigre em público),&lt;br /&gt;não se digna ao menos a me dar uma surra,&lt;br /&gt;já que não posso alimentar essa leveza fria&lt;br /&gt;da sensação que causa o toque do teu instante?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-6416372544533322279?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/6416372544533322279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=6416372544533322279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6416372544533322279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6416372544533322279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/10/paixo-das-ruas-ela-emerge-do-peito-da.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-3353657911521364974</id><published>2007-10-25T11:12:00.000-02:00</published><updated>2007-10-25T11:13:28.314-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Existe felicidade no mundo, Alec, mesmo que ela voe como um sonho. Mas no seu caso, ela passou longe. Como um estrela, fora da alcançe da toupeira. Não a “satisfação pela aprovação”, não louvor e avanço e conquista e poder, não submissão nem capitulação, mas o júbilo da fusão. Fundir o eu no próximo. Como uma ostra recebe um corpo estranho e é ferida por ele e o transforma em pérola, enquanto a água morna ao redor envolve tudo. Você jamais provou esta fusão, nem uma vez em sua vida. Quando o corpo é um instrumento musical nas mãos da alma. Quando o Outro e eu coabitamos e nos tornamos um único coral. E quando o gotejar da estalactite lentamente faz crescer a estalagmite até que ambas se tornem uma.&lt;br /&gt;Pense, por exemplo, que são precisamente sete e dez de uma noite de verão em Jerusalém. As cadeias de colinas tocadas pelos raios do crepúsculo. A última luz começa a dissolver as linhas de pedra das ruas como se as despisse de sua petrificação. O som de uma flauta árabe sobe do uádi num gemido prolongado, além da alegria e da tristeza, como se a alma das montanhas tivesse saído para adormecer os corpos antes de partir para a jornada noturna. Ou duas horas mais tarde, quando surgem estrelas no céu do deserto de Judá e a silhueta do minarete ergue-se ereta entre as sombras dos casebres. Quando os seus dedos tocam o tecido do estofado áspero, e diante de uma janela uma oliveira de prata recebe uma dádiva de luz do abajur da mesa do quarto, e por um momento cessa o limite entre a ponta do dedo, e a coisa tocada e aquele que toca é o tocado e também o toque. O pão em sua mão, a colher de chá, o copo de chá, as coisas simples, mudas, são subitamente cobertas por uma tênue radiação primordial. Iluminadas de dentro de sua alma, e iluminadas de volta. A alegria do ser e sua simplicidade descem e cobrem tudo com o mistério das coisas que existiam antes da criação do conhecimento”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Amós Oz, “A Caixa Preta”. Tradução Nancy Rozenchan. Cia. das Letras, 2007. p. 126-127).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-3353657911521364974?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/3353657911521364974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=3353657911521364974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/3353657911521364974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/3353657911521364974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/10/existe-felicidade-no-mundo-alec-mesmo.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7512282130291759259</id><published>2007-09-14T15:43:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T15:44:00.883-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O destino de nosso tempo, que se caracteriza pela racionalização, pela intelectualização e, sobretudo, pelo “desencantamento do mundo” levou os homens a banirem da vida pública os valores supremos e mais sublimes. Tais valores encontraram refúgio na transcendência da vida mística ou na fraternidade das relações diretas e recíprocas entre indivíduos isolados. Nada há de fortuito no fato de que a arte mais eminente de nosso tempo é íntima e não monumental, nem no fato de que, hoje em dia, só nos pequenos círculos comunitários, no contato de homem a homem, em pianíssimo, se encontra algo que poderia corresponder ao pneuma profético que abrasava comunidades antigas e as mantinha solidárias. Enquanto buscamos, a qualquer preço, “inventar” um novo estilo de arte monumental, somos levados a esses lamentáveis horrores que são os monumentos dos últimos anos. E enquanto tentarmos fabricar intelectualmente novas religiões, chegaremos, em nosso íntimo, na ausência de qualquer nova e autêntica profecia, a algo semelhante e que terá, para nossa alma, efeitos ainda mais desastrosos. As profecias que caem das cátedras universitárias não têm outro resultado senão o de dar lugar a seitas de fanáticos e jamais produzem comunidades verdadeiras. A quem não é capaz de suportar virilmente esse destino de nossa época, só cabe dar o conselho seguinte: volta em silêncio, sem dar a teu gesto a publicidade habitual dos renegados, com simplicidade e recolhimento, aos braços abertos e cheios de misericórdia das velhas Igrejas. Elas não tornarão penoso o retorno. De uma ou de outra maneira, quem retorna será inevitavelmente compelido a fazer o “sacrifício do intelecto”. E não serei eu quem o condene, se tiver, verdadeiramente, força para fazê-lo. Realmente aquele sacrifício, feito para dar-se incondicionalmente a uma religião, é moralmente superior a arte de fugir a um claro dever de probidade intelectual, que se põe quando não existe a coragem de enfrentar claramente as escolhas últimas, e se manifesta, em seu lugar, inclinação por consentir num relativismo precário. A meu ver, esse dom de si é mais louvável que todas as profecias de universitários incapazes de perceber claramente que, numa sala de aula, nenhuma virtude excede, em valor, a da probidade intelectual. Essa integridade nos compele a dizer que todos – e são numerosos – aqueles que, em nossos dias, vivem a espera de novos profetas e de novos salvadores se encontram na situação que se descreve na bela canção de exílio do guarda edomita, canção que foi incluída entre os oráculos de Isaías:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Pergunta-me de Seir:&lt;br /&gt; Vigia, que é da noite?&lt;br /&gt; Vigia, que é da noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O vigia responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vem a manhã e depois a noite.&lt;br /&gt; Se quereis, interrogai,&lt;br /&gt; Convertei-vos, voltai!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo a quem essas palavras foram ditas não cessou de fazer a pergunta, de viver à espera há dois mil anos, e nós lhe conhecemos o destino perturbador. Aprendamos a lição! Nada se fez até agora com base apenas no fervor e na espera. È preciso agir de outro modo, entregar-se ao trabalho e responder às exigências de cada dia – tanto no campo da vida comum, como no campo da vocação. Esse trabalho será simples e fácil, se cada qual encontrar e obedecer ao demônio que tece as teias de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Max Weber, “A Ciência como Vocação” [1918]. Tradução de Leônidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota. São Paulo: Ed. Cultrix.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7512282130291759259?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7512282130291759259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7512282130291759259&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7512282130291759259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7512282130291759259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/09/o-destino-de-nosso-tempo-que-se.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-392204825074655823</id><published>2007-08-25T14:18:00.000-03:00</published><updated>2007-08-25T14:19:32.588-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“A verdadeira beleza impõe o silêncio”, começou o velho escritor em um tom de voz letárgico. “Nas épocas em que essa fé ainda não fora destruída, a crítica era um campo profissional por si mesma. A crítica empenhava-se em imitar a beleza.” Shunsuke acariciava o ar com suas luvas de casimira. “Ou seja, a crítica, assim como a beleza, tinha por objetivo último impor o silêncio. Mais do que um objetivo, esse é um não-objetivo. O método crítico consistia em instaurar o silêncio sem recorrer à beleza, apenas pela força lógica. A lógica, na condição de método crítico, assim como a beleza, tem o poder absoluto de forçar o silêncio alheio. O efeito desse silêncio, resultado da crítica, deve transmitir a ilusão da existência da beleza. È necessário que se forme um vácuo. Assim, pela primeira vez a crítica tornava-se útil à criação.”&lt;br /&gt;  O velho artista passeou o olhar pelo auditório e descobriu três jovens insolentes bocejando. Pensou que aquelas bocas escancaradas talvez estivessem engolindo melhor suas palavras do que as outras.&lt;br /&gt;“Ao mesmo tempo, a fé de que a beleza seja capaz de impor o silêncio acabou ficando no passado. A beleza não impõe mais o silêncio. Mesmo que a beleza passe através de um banquete, os convidados não interrompem suas conversas. Aqueles que já estiveram em Kyoto devem certamente ter visitado o jardim de pedras do templo Ryoanji*. Aquele jardim não apresenta problemas difíceis: é de uma beleza simples. É um jardim que impõe o silêncio. Entretanto, é curioso que os visitantes modernos não se satisfaçam apenas em permanecer calados. Parecem não poder passar sem dizer uma palavra e franzem as sobrancelhas como querendo criar um haiku**. A beleza acabou se tornando um estímulo à eloqüência. Na presença da beleza, sentimo-nos rapidamente forçados a externar nossas impressões de alguma maneira. Sentimos a necessidade de converter a beleza o quanto antes em valor. Seria perigoso não fazê-lo. Como um exemplo, a beleza tornou-se algo difícil de possuir. A faculdade de possuir a beleza em silêncio, essa capacidade suprema, que exige sacrifício, perdeu-se inteiramente. &lt;br /&gt;  “É nesse momento que a idade da crítica se inicia. A crítica não tem hoje como função a imitação da beleza, mas sua conversão. Age em sentido contrário à criação. Antigamente seguidora da beleza, é hoje agente de sua conversão. Ou seja, á medida que a fé que pretendia que a beleza impusesse o silêncio caminhava em direção a sua decadência, a crítica era obrigada a assumir, no lugar da beleza, uma deplorável soberania usurpada. Se mesmo a beleza não impõe o silêncio, a crítica não se sairá melhor. Assim começou nossa era perniciosa, em que a ensurdecedora eloqüência se multiplica. Por toda parte a beleza faz falar. Por fim, devido a essa eloqüência, a beleza prolifera (que estranha expressão!) artificialmente. Começa a produção em série da beleza. E a crítica começa a despejar injúrias sobre as inumeráveis falsas belezas, cujas origens são fundamentalmente as mesmas dela própria.”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• O jardim do templo Ryoanji (“Templo do Dragão Pacífico”), em estilo japonês, foi construído no século XV e pertence à escola Myoshinji do budismo Zen. As quinze rochas do jardim foram dispostas de forma que, de qualquer ângulo que sejam observadas, só se possam ver catorze delas. Apenas ao atingir a iluminação. (N.T) espiritual o indivíduo será capaz de ver a última rocha, com o olhar interior. &lt;br /&gt;• Haiku- poema de dezessete sílabas em três versos de cinco, sete e cinco pés métricos, incorporando palavras relacionadas com as estações do ano, resumindo uma impressão ou um conceito.(N.T)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Trecho de “Cores Proibidas”, de Yukio Mishima. 1951&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por Alvaro Fagundes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-392204825074655823?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/392204825074655823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=392204825074655823&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/392204825074655823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/392204825074655823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/08/verdadeira-beleza-impe-o-silncio-comeou.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-5246518426260614507</id><published>2007-07-12T22:07:00.001-03:00</published><updated>2007-08-03T18:16:32.825-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Magali vai ao banco”&lt;br /&gt;Pretende entrar no banco a pobre datilógrafa, como num conto de Graciliano Ramos, num país onde não há mais datilógrafos. Sente-se, portanto, deslocada, anacrônica, uma máquina de bater adornada com lantejoulas na sala de estar – e afinal para que aquele vestido curto, aqueles falsos badulaques, aquele olhar sinuoso? Lantejoulas? Pelo amor de deus... O amor é como um sorvete derretendo ao sol. Atrás, risadas e desaforos contidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora precisa terminar o sorvete antes de entrar – diz o segurança através da porta transparente giratória e blindada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara de Magali, sofria como Neuma. Incomoda a delicadeza pálida, a indiferença do segurança do banco. Incomoda o jeito como ele suspende as calças pela cinta de couro, assim como quem sabe alguma coisa que você não. Um cachorro de madame num colo de madame, lambidas e cafunés, crianças matando gatos, babás fumando cigarros, um cego de braços dados com uma cega, tudo incomoda. Olha para cima: uma bela encosta, pessoas rindo e apostando os dentes no baralho. Um menino ajuda uma senhora a recolher um cacho de bananas que havia caído. O sol reluzindo como um pequeno escravo. “Asco!” – diz Magali cuspindo no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente ela, que sendo Magali sofria como Neuma, pensa: “o incomodo está em mim, não é culpa da paisagem, é bonita a paisagem, eu sou feia”. Mas então por que sorrir como os outros? Que música é aquela que vem da casa de pão, do choque entre corpos cansados na saída da estação de trem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ela – mas ela quem afinal? – queria ser como todo mundo, apenas não podia. Pois detestava o modo como o mundo persistia na mesma náusea espiral sem fim. Detestava a percepção de que o mundo, o mundo como se imagina o mundo abstrato, o mundo que não está em nós, caga horrores para os nossos desejos. E que desejos afinal? Casar, ter filhos, um asilo decorado com palmeiras? Talvez. E depois, fazer o que mais? Alimentar. E se alimentar do que, para poder alimentar? Amor. E do que se alimenta o amor? Da falta de amor. Perguntas vagas, boçais, o velho de bigode pardo atirando milho aos pombos. Calor detestável, “eu liguei duas vezes, duas é muito, não ligo mais, ele que morra!”. Observe bem, Magali: não há perdão, não há saída, não há sala de estar, o amor envelheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora tem algum objeto metálico, senhora? Chaves, moedas, uma aliança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora mas que inferno! Uma aliança? Não tinha uma aliança, e daí? Não precisava de uma aliança, ora porra... Mas então por que, sendo Magali, sofrer como Neuma? Talvez não fosse Magali. Talvez fosse Neuma sofrendo em silêncio e sorrindo, feito Magali enforcada tomando sorvete. Então, num lapso, esquece quem é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não tenho nada – diz ao guarda Magali que, ainda sem saber quem é, empurra a porta giratória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinal de alerta acionado. Todos olham. Magali não repara se alguém olha, mas, é claro, mesmo não tendo visto, todos olham, isso é claro. Onde está o sujeito galante que irá sorrir sem jeito e oferecer ajuda? Alguém aceita salvar um caso perdido? Magali outra vez olhando para o céu, retirante recém-chegada. “Céu azul maldito, que estala poesia, céu azul de merda!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendia por Magali, andava como Rita, corava feito Clélia, sofria como Neuma. Esquecer o próprio nome. E tinha cabimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa algazarra quando o sino toca pela terceira vez. Magali sente-se elevada de alguma forma, mestre hindu em último grau, distante das ruínas de um destino decapitado. Colinas da Índia, desertos da Arábia, havia agora possantes Niágaras explodindo em algum lugar secreto dentro de algum lugar vazio no interior úmido de Magali, ou no caminho até Neuma. E como de um corpo tão pequeno poderia jorrar um oceano de mágoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu amigo, você acha que essa mulher assaltaria um banco? Olha só pra ela! – um grito no fim da fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria, sim, ter fechado as cortinas. As plantas são mais frágeis, apodrecem rápido. Não sabendo o que fazer, quem era e como prosseguir, sem saber que era de batismo Magali da Cruz Ferreira Neves, formada em direito e datilógrafa, mas como assim datilógrafa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhora, o sinal foi acionado cinco vezes. A senhora tem certeza de que não porta nada que possa porventura comprometer a senhora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora, senhora, senhora de alguém, mas senhora de quem? A dignidade derrete-se nos olhos da moça. Por um lampejo ela se lembra – Magali! – então tem uma visão anormal, um pouco embaçada, mítica, uma casa perturbadora, casa branca de janelas azuis, na frente uma caravela de ladrilhos, e sobre a casa uma estaca de ferro nua, sem adornos, dando à construção um aspecto de maçonaria. De repente uma frase: “fazer amor é uma forma de compensar a morte e alcançar a arte”. Um filme francês, certamente. Não esquecer de comprar incensos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magali rola os olhos em vertigem e, quando olha outra vez para frente, com muitas mãos espalmadas nas suas costas, outras apalpando furtivamente suas nádegas, inclusive a sensação de um dedo gelado feito gilete perfurando-lhe as partes íntimas, então são mais gritos, ganidos, uma dona de casa grávida de joelhos, bate-boca, algazarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Invade porra! Tem ladrão aqui não! O povo é honesto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena final desconcertante. Uma senhora grisalha, vestida como se veste uma mulher sob influência, deixa cair sua caneta enquanto muitos pés massacram o carpete onde se lê o nome da empresa que abastece o mundo para matá-lo de fome. A grisalha então se agacha sobre os saltos ponta-de-agulha, quando Magali – agora Neuma – repara que ela usa um batom encarnado e tem estrias laterais na lombar descoberta por desleixo e solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um homem com os dois pés entre a caneta, um homem alto, moreno, de barba por fazer, do tipo mangas dobradas de camisa, tentando com o tronco manter a caneta intacta entre as pernas. A senhora grisalha, então, ao se agachar – e que belo rasgão na saia, senhora grisalha, que belas peças a senhora tem! – roça algumas vezes, no embalo dos empurrões e bolinaços, com o rosto na região pélvica do sujeito que permanece de pé, tentando se movimentar o mínimo, mas cedendo aos poucos com a brutalidade da invasão descontrolada. Magali a essa altura carregada pelos ombros, fantoche revirando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me desculpe - sorri enigmática a senhora grisalha. - A caneta foi cair num lugar tão estanho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem apenas fecha as pernas, ambos com os peitos de encontro, os fartos peitos da senhora grisalha espalhando-se pelo peito duro do homem alto, os olhos fixos das lebres no cio. A senhora grisalha abre discretamente a braguilha do sujeito alto, que consente olhando para o relógio com um suspiro de tédio. Mas logo estão se beijando. Ela sobe como serpente, as unhas encarnadas, a boca encarnada. Lambem-se, bolinam-se. A senhora grisalha enlaça o tronco do rapaz com as pernas e eles saem da fila juntos, destinados a contas atrasadas e uma caneta perdida. E talvez fosse para sempre, talvez aquilo fosse mesmo o amor. Saindo da briga, pulando pela janela, abandonando a casa antes do incêndio. “Mas não o amor, o amor envelheceu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magali ainda tem tempo de ver como realmente é linda a paisagem, como todas as paisagens são lindas quando vistas pela última vez. Os barcos assim como de cerâmica. Como são elegantes as garças, mesmo comendo lixo e peixe podre. O dia morrendo diante dos seus olhos num tom violáceo, como os próprios olhos dela, Magali com cara de Neuma. E era ainda tão cedo – paisagem linda realmente – era muito cedo ainda, cedo demais para cair, como garça no lixo, como cerâmica, como peixe podre, com a cara esmagada no meio-fio do bairro da alta classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Passa por cima! Pisa! Anda! A culpa é dela! – gritam fariseus milenares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do piche, os estilhaços absolvem a paisagem. Magali sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-5246518426260614507?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/5246518426260614507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=5246518426260614507&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/5246518426260614507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/5246518426260614507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/07/magali-foi-ao-banco-pretende-entrar-no.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-8232657516572444101</id><published>2007-06-13T09:17:00.000-03:00</published><updated>2007-06-13T21:32:26.652-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“One day there is life. A man, for example, in the best of health, not even old, with no history of illness. Everything is as it was, as it will always be. He goes from one day to the next, minding his own business, dreaming only of the life that lies before him. And then, suddenly, it happens there is death. A man lets out a little sigh, he slumps down in his chair, and it is death. The suddenness of it leaves no room for thought, gives the mind no chance to seek out a word that might comfort it. We are left with nothing but death, the irreducible fact of our own mortality. Death after a long illness we can accept with resignation. Even accidental death we can ascribe to fate. But for a man to die of no apparent cause, for a man to die simply because he is a man, brings us so close to the invisible boundary between life and death that we no longer know which side we are on. Life becomes death, and it is as if this death has owned this life all along. Death without warning. Which is to say: life stops. And it can stop at any moment”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paul Auster, “The Invention of Solitude”, 1º parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-8232657516572444101?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/8232657516572444101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=8232657516572444101&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8232657516572444101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8232657516572444101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/06/one-day-there-is-life.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-8630709734985827164</id><published>2007-06-11T21:46:00.000-03:00</published><updated>2007-06-11T21:48:01.133-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“amor”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cada câimbra&lt;br /&gt;em cada dedo&lt;br /&gt;aproxima meu desejo&lt;br /&gt;do teu hálito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;roupa nova&lt;br /&gt;velha estirpe&lt;br /&gt;somos todos&lt;br /&gt;trapos sujos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o encantamento&lt;br /&gt;pela falta de uso:&lt;br /&gt;sou aquilo&lt;br /&gt;que te deu errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em mim sol&lt;br /&gt;dia nublado,&lt;br /&gt;sempre a vez&lt;br /&gt;do bom amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saco de chispas&lt;br /&gt;hino de ossos,&lt;br /&gt;este é o nosso&lt;br /&gt;lugar sem rima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se tu viste&lt;br /&gt;com meu vício,&lt;br /&gt;quando te avisto&lt;br /&gt;veste-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;asmáticas&lt;br /&gt;cansam minhas narinas&lt;br /&gt;na busca do toque frágil&lt;br /&gt;do teu tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas sempre&lt;br /&gt;que te junto&lt;br /&gt;do chão frio&lt;br /&gt;e te anuncio&lt;br /&gt;em sangue,&lt;br /&gt;teu absurdo&lt;br /&gt;me desmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-8630709734985827164?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/8630709734985827164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=8630709734985827164&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8630709734985827164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8630709734985827164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/06/amor-cada-cimbra-em-cada-dedo-aproxima.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-1076286041212387774</id><published>2007-06-02T11:07:00.000-03:00</published><updated>2007-06-02T11:18:01.130-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Senti e não estranhei que o pão tão saboroso ao paladar saudável seja enjoativo ao paladar enfermo e que a luz agradável aos olhos que vêem bem seja desagradável aos doentes. E a vossa justiça é desagradável aos maus – o mesmo acontece com a víbora e os répteis, que foram criados bons e adequados à parte inferior da Criação, à qual os seres maus também pertencem -, sendo tão mais semelhantes quanto são diferentes de Vós. Do mesmo modo, os maus são tão mais semelhantes aos seres superiores quanto mais se tornam semelhantes a Vós. Indaguei sobre a maldade e não encontrei uma substância, mas sim a perversão da vontade afastada de Vós, o Ser Supremo, tendendo em direção às coisas inferiores, expelindo suas entranhas e inchando-se toda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo Agostinho, Confissões, Cap. 16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-1076286041212387774?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/1076286041212387774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=1076286041212387774&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/1076286041212387774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/1076286041212387774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/06/senti-e-no-estranhei-que-o-po-to.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-1728792091378519052</id><published>2007-06-02T10:50:00.000-03:00</published><updated>2007-06-02T10:53:05.279-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>karról v laván&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos teus olhos de vidro&lt;br /&gt;é a lágrima&lt;br /&gt;um eco&lt;br /&gt;ou chuva?&lt;br /&gt;te espanca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um caco &lt;br /&gt;perdido&lt;br /&gt;de tua &lt;br /&gt;superfície?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que se liquefaz &lt;br /&gt;escondido,&lt;br /&gt;quando visto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tua alma um jardim&lt;br /&gt;de cristais pontiagudos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é teu olhar&lt;br /&gt;uma lâmina?&lt;br /&gt;ou &lt;br /&gt;só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos vitrais, vislumbres, lembranças&lt;br /&gt;és por dentro    &lt;br /&gt;e por fora&lt;br /&gt;mesma face vítrea&lt;br /&gt;que afasta e demora&lt;br /&gt;e esfria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Daniela Szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-1728792091378519052?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/1728792091378519052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=1728792091378519052&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/1728792091378519052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/1728792091378519052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/06/karrl-v-lavn-nos-teus-olhos-de-vidro.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-6352933382506134241</id><published>2007-05-28T22:00:00.000-03:00</published><updated>2007-05-28T22:01:49.677-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“ode ao onanista”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este esguicho branco-pardo&lt;br /&gt;de tantas tardes de sono&lt;br /&gt;quando as onças dormiam:&lt;br /&gt;jorrar convicto, lacrimoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta gota encorpada&lt;br /&gt;que de nós escorre&lt;br /&gt;e também é bílis:&lt;br /&gt;massa do infinito,&lt;br /&gt;cheiro nauseabundo,&lt;br /&gt;gota pai, gota mãe,&lt;br /&gt;gota imperdoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de onde viemos tão tolos,&lt;br /&gt;gota mole, insubstancial?&lt;br /&gt;gota que, quando esgota,&lt;br /&gt;nos torna fósseis de nós.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;estribilho transparente&lt;br /&gt;- gota do não me apague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto de mim esguichares&lt;br /&gt;sem saber se és vida ou vício&lt;br /&gt;escutarei o silêncio cálido&lt;br /&gt;da tua motivação narcísea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-6352933382506134241?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/6352933382506134241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=6352933382506134241&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6352933382506134241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6352933382506134241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/05/ode-ao-onanista-este-esguicho-branco.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-8592728593127949520</id><published>2007-05-10T19:34:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T19:35:58.503-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sylvia Plath &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mirror&lt;/em&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;I am silver and exact. I have no preconceptions.&lt;br /&gt;Whatever I see, I swallow immediately.&lt;br /&gt;Just as it is, unmisted by love or dislike&lt;br /&gt;I am not cruel, only truthful –&lt;br /&gt;The eye of a little god, four-cornered.&lt;br /&gt;Most of the time I meditate on the opposite wall.&lt;br /&gt;It is pink, with speckles. I have looked at it so long&lt;br /&gt;I think it is a part of my heart. But it flickers.&lt;br /&gt;Faces and darkness separate us over and over.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Now I am a lake. A woman bends over me.&lt;br /&gt;Searching my reaches for what she really is.&lt;br /&gt;Then she turns to those liars, the candles or the moon.&lt;br /&gt;I see her back, and reflect it faithfully&lt;br /&gt;She rewards me with tears and an agitation of hands.&lt;br /&gt;I am important to her. She comes and goes.&lt;br /&gt;Each morning it is her face that replaces the darkness.&lt;br /&gt;In me she has drowned a young girl, and in me an old woman&lt;br /&gt;Rises toward her day after day, like a terrible fish.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado por João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-8592728593127949520?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/8592728593127949520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=8592728593127949520&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8592728593127949520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8592728593127949520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/05/sylvia-plath-mirror-i-am-silver-and.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-5611732904049642976</id><published>2007-04-30T17:31:00.000-03:00</published><updated>2007-04-30T17:34:20.463-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Medo do abandono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o problema sobrevém&lt;br /&gt;quando deixas de acreditar&lt;br /&gt;nas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele então se vira, um bicho assola &lt;br /&gt;seu rosto, carcomendo pelo corpo &lt;br /&gt;as margens do homem&lt;br /&gt;- dispersa pelo ar suas fantasias vestidas de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer outra flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos ouvidos abstraem essa voz - busca&lt;br /&gt;o berro que sussurra no sol&lt;br /&gt;do &lt;br /&gt;despertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embrutecer o nome da palavra&lt;br /&gt;Leva a Noite-de-Sonos-Intraqüilos – a distender o &lt;br /&gt;tempo numa cobra venenosa que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;erguida&lt;br /&gt;olhando-me&lt;br /&gt;estátua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enrosca-se na espiral desta decadência até o&lt;br /&gt;fundo-infindar da máscara soterrada no meu &lt;br /&gt;ventre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranca a minha pele&lt;br /&gt;indiferente à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela perde-se nos bosques onde só me encontro &lt;br /&gt;perdida. Aqui marco meus passos. Pegadas desta vida.&lt;br /&gt;Aqui invento este lugar nenhum. Me julgo a liberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi liberta que levei-me a escrever o segundo poema&lt;br /&gt;de nome “arte pelo sufocamento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz no fundo do abismo&lt;br /&gt;oscila&lt;br /&gt;não há saída pela porta &lt;br /&gt;de entrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensombrece à velocidade da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando enfim cessar, &lt;br /&gt;Quando tudo parar de brilhar&lt;br /&gt;Quando teu dia tornar-se quatro&lt;br /&gt;Blocos desabando um sobre o outro&lt;br /&gt;O bloco escuro da noite sobre a tarde,&lt;br /&gt;Amarga, sobre a manhã, madrugada, este &lt;br /&gt;dégradé de esperança e morte, cinza, azul e amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda a nossa vida, girando&lt;br /&gt;torta, tudo vivo, cindido e feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O asco dói na saliva.&lt;br /&gt;O vôo vomita a entranha.&lt;br /&gt;Suportamos o insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda por cima, &lt;br /&gt;o mais horrível dos castigos está sempre à minha espera.&lt;br /&gt;Ama-me &lt;br /&gt;como ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-5611732904049642976?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/5611732904049642976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=5611732904049642976&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/5611732904049642976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/5611732904049642976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/medo-do-abandono-todo-o-problema.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-4052141053753759097</id><published>2007-04-26T22:30:00.000-03:00</published><updated>2007-04-26T22:32:42.467-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"aviso da balada do café triste".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dedicado à alma de Carson McCullers&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o firme silêncio&lt;br /&gt;de uma carta&lt;br /&gt;sem paixão&lt;br /&gt;foi interrompido&lt;br /&gt;enquanto a moça&lt;br /&gt;embebedava&lt;br /&gt;palavras no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CATAPLOFT!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um livro pesado&lt;br /&gt;caiu no chão&lt;br /&gt;como para lembrar&lt;br /&gt;que há tanto perigo&lt;br /&gt;em palavras embriagadas&lt;br /&gt;quanto nas mentiras&lt;br /&gt;de uma carta sem paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-4052141053753759097?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/4052141053753759097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=4052141053753759097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/4052141053753759097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/4052141053753759097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/aviso-da-balada-do-caf-triste.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-2187459843918771717</id><published>2007-04-25T22:07:00.000-03:00</published><updated>2007-04-25T22:08:25.008-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Uivo agudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontre a voz desta&lt;br /&gt;poesia&lt;br /&gt;submersa&lt;br /&gt;num nível de delicadeza&lt;br /&gt;insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violenta-se para fora atravessando cortinas&lt;br /&gt;de sangue endurecido até o circular desimpedido&lt;br /&gt;quando renasce o corpo todo no frescor do&lt;br /&gt;querer viver tudo novamente-novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela põe-se por baixo&lt;br /&gt;elevando&lt;br /&gt;o que não vem de si –&lt;br /&gt;ela se cratera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tufões de clareza.&lt;br /&gt;É súbito ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banham-na todos os amores&lt;br /&gt;findos.&lt;br /&gt;A ponta do dedo toca, anima,&lt;br /&gt;a mancha suspensa da lembrança.&lt;br /&gt;Ela dá-se toda,&lt;br /&gt;                       e depois deságua gélida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfrenta-me em avalanche o rio das friezas consentidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reguei-me do que fui renegada.&lt;br /&gt;Nasceram, portanto,&lt;br /&gt;bolsas&lt;br /&gt;de carinho-extrapolar.&lt;br /&gt;Serão para sempre sementes.&lt;br /&gt;Árvores oníricas&lt;br /&gt;dilapidadas.&lt;br /&gt;Fim e início de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erram rastros sensações pelo corpo.&lt;br /&gt;Foi impreciso navegar no instante.&lt;br /&gt;O passado é um passar-passará&lt;br /&gt;brotando&lt;br /&gt;à luz da pele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo este finito intenso.&lt;br /&gt;Sentir tudo é o único refúgio&lt;br /&gt;que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-2187459843918771717?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/2187459843918771717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=2187459843918771717&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2187459843918771717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2187459843918771717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/uivo-agudo-encontre-voz-desta-poesia.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-8097243336472560091</id><published>2007-04-21T11:04:00.001-03:00</published><updated>2007-04-21T11:11:45.721-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A hora da poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No esgotamento dos minutos em que caminho&lt;br /&gt;descompasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir não foi.&lt;br /&gt;Arritmo - me&lt;br /&gt;                    alinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(dispara sempre, coração)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas afogadas na flor.&lt;br /&gt;Nada é tempo.&lt;br /&gt;É vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gasto ruínas&lt;br /&gt;                que decaem&lt;br /&gt;                              orvalhadas, orvalhadas de sussurros&lt;br /&gt;Escavo o onde.&lt;br /&gt;Escavo convexos&lt;br /&gt;                        no externo&lt;br /&gt;do sentido.&lt;br /&gt;Recôncavos a desdizer,&lt;br /&gt;contradigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reverencio&lt;br /&gt;as pétalas&lt;br /&gt;enterradas&lt;br /&gt;no meu&lt;br /&gt;peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por elas imploro a morte, no casulo&lt;br /&gt;pesadelo, encontrá-las pétalas, onde todos toques faltam, uivam os espectros&lt;br /&gt;dos segredos&lt;br /&gt;a margem da lucidez é um delírio entrechocante de ondas&lt;br /&gt;revoltas&lt;br /&gt;temo ser esta sombria imensa&lt;br /&gt;Compacta,&lt;br /&gt;cercando detalhes de pequena luz, matando-os com meu cancro&lt;br /&gt;em descontrole, respingando&lt;br /&gt;vermes remoídos sobre&lt;br /&gt;o pouco&lt;br /&gt;que restava puro.&lt;br /&gt;Ser este erro crucial&lt;br /&gt;Que se anula, derrame hipnótico, me&lt;br /&gt;Maldiz, essa histeria desfigurada estraga todo o acabamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formal&lt;br /&gt;Em que tanto&lt;br /&gt;Me debatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botões de tempo esgotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratemo-nos&lt;br /&gt;como doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(calma, brinco um pouco,&lt;br /&gt;Brincadeiras de silêncio&lt;br /&gt;Nos arredores do caos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É macio retroceder na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebra-me&lt;br /&gt;Esta tensão de nos querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-8097243336472560091?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/8097243336472560091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=8097243336472560091&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8097243336472560091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8097243336472560091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/hora-da-poesia-no-esgotamento-dos.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-8689905400109066023</id><published>2007-04-20T10:36:00.000-03:00</published><updated>2007-04-20T10:37:32.810-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Pássaro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Mesmo Mar&lt;/em&gt;, Amós Oz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nádia Danon. Pouco antes de morrer, um pássaro&lt;br /&gt;Num ramo de árvore a acordou.&lt;br /&gt;Às quatro da manhã, antes de clarear o dia, narimi&lt;br /&gt;Narimi, disse o pássaro. Acorda, acorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que serei eu depois que morrer? Um som, um aroma,&lt;br /&gt;Ou nada. Comecei uma toalhinha.&lt;br /&gt;Talvez ainda termine. O doutor Salatiel está otimista: o quadro é&lt;br /&gt;Estável, diz. Talvez o esquerdo&lt;br /&gt;Esteja um pouquinho menos bem. O direito está ótimo. As&lt;br /&gt;Radiografias são bem nítidas. A senhora pode ver: não se nota nenhuma&lt;br /&gt;ramificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às quatro da manhã, antes de o dia clarear, Nádia Danon&lt;br /&gt;Começa a recordar. Queijo de ovelha. Copo de vinho.&lt;br /&gt;Cacho de uvas. O cheiro da tarde lenta nas colinas de Creta,&lt;br /&gt;O gosto da água fria, o sussurro dos pinheiros, a sombra das&lt;br /&gt;Montanhas&lt;br /&gt;Cai sobre toda a planície, narimi&lt;br /&gt;Narimi, cantou o pássaro. Vou me sentar e bordar. Antes do&lt;br /&gt;amanhecer eu termino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-8689905400109066023?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/8689905400109066023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=8689905400109066023&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8689905400109066023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/8689905400109066023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/pssaro.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7282415691784939769</id><published>2007-04-18T21:40:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T21:41:44.583-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“fora daqui”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pais, urge que expulsem&lt;br /&gt;suas crianças de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é uma questão de amor e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escorracem seus sonhos monossilábicos,&lt;br /&gt;deixem-nas correr do próprio inverno,&lt;br /&gt;permitam que a morte as olhe de perto&lt;br /&gt;dia e noite com carrosséis sem música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só não as mate pelo amor de menos,&lt;br /&gt;que não foi possível no tempo apto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;elas são fortes, suportarão, intactas&lt;br /&gt;em sua fonte firme de riqueza quebradiça,&lt;br /&gt;banhadas da própria dor no doce parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a primeira maldade fez do amor ato impuro,&lt;br /&gt;a segunda egoísmo e a terceira eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e todas as crianças sobrepujadas são santas,&lt;br /&gt;e todas as pudicas são escravos paralíticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixem-nas colher seus olhos híbridos&lt;br /&gt;no beco escuro aonde lobos espreitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixem-nas morrer por toda a vida –&lt;br /&gt;não minha ou sua – mas por inteiro,&lt;br /&gt;pois só há vida onde existe o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7282415691784939769?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7282415691784939769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7282415691784939769&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7282415691784939769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7282415691784939769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/fora-daqui-pais-urge-que-expulsem-suas.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-2047860449492446875</id><published>2007-04-18T15:14:00.001-03:00</published><updated>2007-04-18T15:14:47.981-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Magnânimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À flor da boca, a palavra&lt;br /&gt;É dura na demora.&lt;br /&gt;Pedra na garganta&lt;br /&gt;Que se esfarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me fazes&lt;br /&gt;uma&lt;br /&gt;pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fundo deserto, emerge&lt;br /&gt;flama, chama meu nome (Dani, Dani)&lt;br /&gt;querendo-se, querendo-se&lt;br /&gt;Ela me lambe como tinta de caneta&lt;br /&gt;no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se perdurar em ondas, no som&lt;br /&gt;da tua boca, teu sonho som de poesia&lt;br /&gt;da outra&lt;br /&gt;ela me redime&lt;br /&gt;(vôo de nudez e silêncio)&lt;br /&gt;porque muda&lt;br /&gt;nasci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se tu me ouvires&lt;br /&gt;Nest’outra voz, neste pássaro veloz&lt;br /&gt;Que me canta, na ferida deste pulmão frouxo&lt;br /&gt;que me lembra, é que eu me emaranho como rede&lt;br /&gt;sobre o inalcançável-&lt;br /&gt;desejo-&lt;br /&gt;ausência-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque enfim me repele&lt;br /&gt;Sempre já estive calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto da palavra&lt;br /&gt;é seco, é magro.&lt;br /&gt;Mais que uma sede,&lt;br /&gt;Mais que uma fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra é mais rala que o incorpóreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-2047860449492446875?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/2047860449492446875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=2047860449492446875&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2047860449492446875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2047860449492446875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/magnnimo-flor-da-boca-palavra-dura-na.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7295603533801067848</id><published>2007-04-13T22:04:00.000-03:00</published><updated>2007-04-13T22:06:23.994-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A CÂMARA CLARA – trecho parte 5 -&lt;br /&gt;ROLAND BARTHES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pode ocorrer que eu seja olhado sem que eu saiba, e disso eu ainda não posso falar, já que decidi tomar como guia a consciência de minha comoção. Mas com muita freqüência (realmente muita, em minha opinião) fui fotografado sabendo disso. Ora, a partir do momento que me sinto olhado pela objetiva, tudo muda: ponho-me a “posar”, fabrico-me instantaneamente um outro corpo, metamorfoseio-me antecipadamente em imagem. Essa transformação é ativa: sinto que a Fotografia cria meu corpo ou o mortifica, a seu bel-prazer (...). Posando diante a objetiva (quero dizer: sabendo que estou posando, ainda que fugidiamente), não me arrisco tanto (pelo menos por enquanto). Sem dúvida, é metaforicamente que faço minha existência depender do fotógrafo. Mas essa dependência em vão procura ser imaginária (e do mais puro Imaginário), eu a vivo na busca de uma filiação incerta: uma imagem – minha imagem – vai nascer: vão me fazer nascer de um indivíduo antipático ou de um “sujeito distinto”? Se eu pudesse “sair” sobre o papel como cobre uma tela clássica, dotado de um ar nobre, pensativo, inteligente, etc.! Em suma, se eu pudesse ser “pintado” (por Ticiano) ou “desenhado” (por Clouet)! No entanto, como o que eu gostaria que fosse captado é uma textura moral fina, e não uma mímica, e como a fotografia é pouco sutil, salvo nos grandes retratistas, não sei como, do interior, agir sobre minha pele. Decido “deixar flutuar” em meus lábios e em meus olhos um leve sorriso, que eu gostaria que fosse “indefinível”, no qual eu daria a ler, ao mesmo tempo que as qualidades de minha natureza, a consciência divertida que tenho de todo o cerimonial fotográfico: presto-me ao jogo social, poso, sei disso, quero que vocês saibam, mas esse suplemento de mensagem não deve alterar em nada (para dizer a verdade, quadratura do círculo) a essência preciosa de meu indivíduo: o que sou, fora de toda efígie. Eu queria, em suma, que minha imagem, móbil, sacudida entre mil fotos variáveis, ao sabor das situações, das idades, coincidisse sempre com meu “eu” (profundo, como é sabido); mas é o contrário que é preciso dizer: sou “eu” que não coincido jamais com minha imagem; pois é a imagem que é pesada, imóvel, obstinada (por isso a sociedade se apóia nela), e sou “eu” que sou leve, dividido, disperso e que, como um ludião, não fico no lugar, agitando-me em meu frasco: ah, se ao menos a Fotografia pudesse me dar um corpo neutro, anatômico, um corpo que nada signifique! Infelizmente, estou condenado pela Fotografia, que pensa agir bem, a ter sempre uma cara: meu corpo jamais encontra seu grau zero, ninguém o dá a ele (talvez apenas minha mãe? Pois não é a indiferença que retira o peso da imagem – nada como uma foto “objetiva”, do tipo “Photomaton”, para fazer de você um indivíduo condenado, vigiado pela polícia – é o amor, o amor extremo).”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por Dani Szwertszarf.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7295603533801067848?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7295603533801067848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7295603533801067848&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7295603533801067848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7295603533801067848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/cmara-clara-trecho-parte-5-roland.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-2353681746290714058</id><published>2007-04-13T13:02:00.000-03:00</published><updated>2007-04-13T13:04:10.819-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Posto 9”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto deve ser reduzido pouco a pouco, leio no final do meu horóscopo do dia, e a mulher comigo diz que “são todos embaralhados e sorteados pelos piores estagiários, os horóscopos do dia”, e de fato olho para ela e penso como é estranha a expressão “a mulher comigo”, enquanto atrás de mim toca um telefone, tocam vários telefones, e ouço palavras numa língua que não conheço, parecem altas as palavras, mas são muitas e, desconexas, todas começam como terminam, mas aparentemente só a mim incomodam, pelo que me viro para trás e vejo um sujeito atlético, de uns 50 anos, mas que fala como se tivesse 15, discutindo em termos baixíssimos com outro sujeito de uns 50 anos, mas que aparenta 70, os dois discutem e fumam cigarros de maconha, que parecem surgir da areia como esfinges não-poéticas, tais quais as mulheres desesperadas, que sorriem e lêem Rosamunde Pilcher, ou como o negro pobre retirante nordestino, que há milhares de anos, talvez mais, nos oferece algo para beber - e os gritos se atrasam para mais uma revolução, enquanto leitores de Zuenir Ventura e Deleuze aplaudem o pôr-do-sol.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leo Marona.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-2353681746290714058?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/2353681746290714058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=2353681746290714058&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2353681746290714058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2353681746290714058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/posto-9-o-resto-deve-ser-reduzido-pouco.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-6504488608506359676</id><published>2007-04-02T12:45:00.000-03:00</published><updated>2007-04-02T12:48:46.469-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Tinha que cortar, sim. Cortar o peito no meio, matar-abrir, tinha que&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;deixar a faca entrar. Junto com a faca entrava aquele sentimento doido-&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;doído. Fazendo logo carrossel. Já tinha aprendido, tinha mais era que&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;não saber, viver bem dentro lá do não saber, flutuando, de não deixar&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ninguém dizer que isso, que aquilo, porque o nome da sua vida, não era&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;vida não, era lambarvorida, mesmo que ninguém nunca ouvisse, até que&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;alguns ouviam, chovem purpurinas no segredo das estrelas, de ninguém&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;nunca saber, elas só brilham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(szwertszarf)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-6504488608506359676?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/6504488608506359676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=6504488608506359676&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6504488608506359676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/6504488608506359676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/04/tinha-que-cortar-sim.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-7299020971915061600</id><published>2007-03-17T17:37:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T17:39:42.084-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"estiagem"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre náufragos à procura&lt;br /&gt;do nunca dantes navegado,&lt;br /&gt;ficam os corpos a estibordo&lt;br /&gt;e as alturas os convergem&lt;br /&gt;em rotas de colisão e paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amor é o insulto à saudade&lt;br /&gt;no verniz pagão das preces,&lt;br /&gt;no cós rasgado do estribilho,&lt;br /&gt;na distância que separa dois&lt;br /&gt;da entrega desmedida imposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é o silêncio de quem provoca&lt;br /&gt;o silêncio naquele que precisa&lt;br /&gt;dizer algo a quem não escuta.&lt;br /&gt;e, acima de tudo, é a vontade&lt;br /&gt;de jurar por tudo e depois ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-7299020971915061600?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/7299020971915061600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=7299020971915061600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7299020971915061600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/7299020971915061600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/03/estiagem-sempre-nufragos-procura-do.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-9125820576717735170</id><published>2007-03-16T12:57:00.000-03:00</published><updated>2007-03-16T12:59:37.038-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Burnt Norton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Time present and time past&lt;br /&gt;Are both perhaps present in time future,&lt;br /&gt;And time future contained in time past.&lt;br /&gt;If all time is eternelly present&lt;br /&gt;All time is unredeemable.&lt;br /&gt;What might have been is an abstraction&lt;br /&gt;Remaining a perpetual possibility&lt;br /&gt;Only in a world of speculation.&lt;br /&gt;What might have been and what has been&lt;br /&gt;Point to one end, which is always present.&lt;br /&gt;Footfalls echo in the memory&lt;br /&gt;Down the passage which we did not take&lt;br /&gt;Towards the door we never opened&lt;br /&gt;Into the rose-garden. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;T.S. Eliot, Four Quartets, 1936.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por João Duarte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-9125820576717735170?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/9125820576717735170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=9125820576717735170&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/9125820576717735170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/9125820576717735170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/03/burnt-norton.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-4295918264142855367</id><published>2007-02-22T23:36:00.000-02:00</published><updated>2007-02-22T23:37:30.551-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sobre o vídeo resistente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavra que vem me assolando, ou talvez abrindo os meu olhos para uma certa maneira de ver/entender a vida nos últimos tempos, veio a dar o nome desta oficina: RESISTÊNCIA. Porque essa palavra é tão importante? É uma palavra que está completamente fora de moda e há muito tempo não vem sendo tratada como ela merece. Eu posso falar por mim mesmo que há poucos meses atrás certamente não estaria vendo o trabalho que eu faço como modo de resistência.&lt;br /&gt;Na verdade, eu passei a adolescência toda para entender que era ingenuidade, e até burrice, acreditar numa revolução. A desilusão, provinda de uma reação à falha de uma revolução cultural e política que supostamente teria acontecido em 1968, era a única possibilidade, e a única maneira razoável de entender o que havia acontecido com aquela revolução (revoluções) e com as  pessoas que dela haviam participado. Por isso, um mundo sem utopias e sem crença. É claro que essa espécie de niilismo não dura, pois precisamos acreditar em alguma coisa senão o sentido de estar vivo desaparece. Passei então a acreditar no ato de criação e na criação em si (a obra de arte) que ao meu ver era a única na qual eu podia confiar inteiramente meus esforços e dar a minha cara a tapa que ela nunca me decepcionaria e nem me abandonaria. Uma relação de amor se estabeleceu. E, realmente, eu acho que posso dizer que toda a minha obra é sobre o ato de criação e a relação obsessiva que eu tenho com esse momento: arte que fala sobre o fazer arte. Daí o fascínio por Duchamp.&lt;br /&gt;O lado bom disso tudo é que eu realmente amo o que eu faço. O lado ruim é que eu me afastei e me isolei não fazendo caso das relações políticas que estavam ao meu redor. Já fui chamado de burguês do Leblon que precisava conhecer a tijuca. Já disseram que eu deveria comer mais feijão. Já disseram que meus filmes com o Ricardo deveriam ter músicas brasileiras. E certamente já falaram muito mais. Esses comentários são reações naturais ao que a gente pode dizer que são filmes (vídeos) voltados para o próprio umbigo. Mas que umbigo é esse? É o meu, é o do Ricardo e é de quem quer que o seja. É bem claro que o que vemos no outro é sempre a partir de nós mesmos, da nossa vontade e da nossa capacidade de ver/entender o que vemos/entendemos. Um amigo meu disse que a primeira vez que ele viu um filme dos irmãos Pretti ele viu que era possível o que ele antes considerava impossível. O que existe, e isso é inegável, é uma vontade incontrolável de fazer os vídeos. Então foi o que fiz. Vídeo atrás de vídeo desde os 16 anos de idade. Primeiro com uma câmera vhs, depois com uma hi-8, depois uma mini-dv e hoje com uma hdv. Foram tantos vídeos feitos que eu já perdi a conta, mas todos eles por mais ruim que fossem foram feitos com muito amor.&lt;br /&gt;O que eu não entendia antes que agora eu entendo é que sempre existiu uma crença política enorme nesses vídeos todos. Uma crença num estilo de vida que é extremamente subversivo quando consideramos a mediocrização total da nossa burguesia e o medo imenso de fazer qualquer coisa que esteja fora dos padrões aceitáveis do senso comum. Eu que venho do Rio de Janeiro sei que o que todos querem lá é se estabelecer dentro do que já é estabelecido. Assim fica impossível que o que chamamos de arte respire para ganhar novo fôlego. Por isso eu posso dizer que o que eu faço é uma resistência. Eu resisto contra o medo e os meus vídeos são uma prova dessa resistência.&lt;br /&gt;Agora nos resta tomar consciência do que é e pensar o que é um vídeo resistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Pretti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-4295918264142855367?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/4295918264142855367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=4295918264142855367&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/4295918264142855367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/4295918264142855367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/02/sobre-o-vdeo-resistente-uma-palavra-que.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-2428105144375852877</id><published>2007-02-22T23:34:00.000-02:00</published><updated>2007-02-24T12:28:27.025-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vídeo Resistente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a importância de uma câmera mini-dv nas nossas vidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar, agora mais do que nunca, se aliou ao pensar. Perceber com o olho e com o ouvido é uma forma de pensar. O vídeo, antes de ser uma nova forma de representação, é uma nova forma de pensar (deixo aqui de lado a palavra cinema em prol de uma nova postura, assim como Bresson preferiu usar a palavra cinematógrafo, eu resolvi usar a palavra vídeo, mesmo sabendo das difíceis consequências dessa palavra). Penso, logo existo; ou, penso, logo faço vídeo. O vídeo antes de ser uma (vontade de) linguagem, é uma realidade, a do pensar. E pensar é fazer poesia, é atingir o inatingível, é dizer o indizível, é poder respirar perante todas as contradições do mundo e fazer o que ninguém jamais ousou, é viver só como você pode viver, é resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vídeo é uma extensão da minha mente e em minha vida está inserido, é produção auto-crítica e transformadora da minha pessoa. É a &lt;em&gt;reeducação pelo vídeo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se colocar diante dessas novas possibilidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma imagem não deve querer dizer nada porque ela deve ser tão ampla quanto a própria vida. Uma imagem não deve se reduzir a si mesma, ela deve sugerir outros mundos que não o dela mesma. O nosso papel é tentar captar (registrar) esse movimento, devemos ser rigorosos e não apelar para soluções fáceis, tudo está aberto e é por isso que devemos ter o máximo de concentração e a habilidade para condensar (dichten = condensare: Ezra Pound).&lt;br /&gt;A espontaneidade do vídeo leva a crer num fim do artesanato, mas o que acontece não é isso, a pessoa que trabalha com vídeo é, de certa forma, um alquimista, mas que trabalha com novos ingredientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim, um dos grandes papéis da arte é aprofundar a nossa visão sobre a realidade e intensificar a idéia de que nós pertencemos a alguma coisa, e que nem tudo é sem sentido, apesar de incerto. Estamos num mundo cada vez mais destituído de princípios, cada vez mais reduzido a uma condição miserável, e precisamos voltar a acreditar em alguma coisa que não seja a lógica do dinheiro, talvez a lógica do desejo, e é pra isso que o vídeo está aqui, como instrumento de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que o vídeo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vídeo não é nenhuma entidade divina que deve ser idolatrada. É só mais um avanço tecnológico-mecânico. O importante é como nós percebemos e não como o vídeo percebe (vide a diferença de exemplos no trabalho com o vídeo: Pedro Costa e Abbas Kiarostami, ou Nobuhiro Suwa e Lars Von Trier). O vídeo se insere na história do cinema e devemos estar atento a isso, o vídeo é uma confirmação da história do cinema (vide os exemplos que eu dei em cima).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino aqui com uma frase do Godard: Um olhar nunca é profundo. O que é profundo é a extensão, a extensão de uma relação precisa entre o desconhecido e o conhecido. Pensar.&lt;br /&gt;voz off de Comment ça va, Godard-Miéville&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma do Murnau pra fazer pensar: "Real art is simple, but simplicity requires the greatest art."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Pretti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-2428105144375852877?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/2428105144375852877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=2428105144375852877&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2428105144375852877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/2428105144375852877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/02/vdeo-resistente-qual-importncia-de-uma.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-117121002044863554</id><published>2007-02-11T14:06:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T14:07:00.463-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Poema de rua,&lt;br /&gt;cauda de estranho, poema de café expresso,&lt;br /&gt;sem saudades. Rascunho sem melindres, sem ataques.&lt;br /&gt;Breve receio de não ser.&lt;br /&gt;Poema de cumprir tabela, poema vil – vil e chato –&lt;br /&gt;incontinência de poeta. Não-poema de teu rastro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Lohmann Couri.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-117121002044863554?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/117121002044863554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=117121002044863554&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/117121002044863554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/117121002044863554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/02/poema-de-rua-cauda-de-estranho-poema.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-117077041969872815</id><published>2007-02-06T11:56:00.000-02:00</published><updated>2007-02-06T12:00:19.723-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;continue procurando&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não está nas salas de aula, ou nos bares de arredores. não está no bolso do poeta, ou na outra cor do camaleão. não está nas bochechas vermelhas, ou na vergonha do beijo traído pelas varejeiras da paixão. não está nas luzes do sucesso imediato – inanimado – anonimato, ou na vala do esquecimento saudável por pontos de audiência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;não está em gravatas coloridas sob encomenda, ou em calças milimetricamente rasgadas para quem quiser acreditar em fadas, feitas com trapos do que sobrou da bandeira. não está nos salões lotados de dança e fumaça e morte cronometrada em sorrisos felizes mais fáceis do que admitir, ou na azeitona do copo de martini seco do velho e pobre cantor de tango que esqueceu a dentadura em casa mas continua mais elegante do que você e eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;não está no mais novo gênio do último momento, que passou e terminou sem que ele mesmo soubesse, porque nunca soube de fato, muito preocupado com o corte de cabelo de sua mais nova criação. não está nos versos sobre ondas preguiçosas, ou no pôr-do-sol assassinado pelo frio de uma rosa morta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;não está na mala do carteiro simpático e triste, ou no mesmo antigo caos do dia seguinte. não está nas listas telefônicas, ou nos dedos entre os cabelos embaraçados que assim ficam menos românticos do que se suporia se antes de amar fosse possível entender. não está nos direitos humanos, ou à esquerda do contratempo. não está na velha vestida com listras na frente do restaurante chinês, ou no camarada com sorriso canastra que traça a puta da novela das seis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;não está na bússola do náufrago atacado pelo escorbuto, ou na próstata do câncer letrado em dedos falseados de conhecimento histórico no queixo diante de mais uma pintura social. não está nos hinos dos patriotas, tampouco nos cânticos ecumênicos sob as saias eretas dos sodomitas de alma pelada que não tiveram infância e por isso precisam fodê-la enquanto choram de culpa. não está nas orgias auto-afirmativas em gritos transgressores de sereno desespero, ou nas serestas mudas sob a chuva ácida da usina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não está no sujeito sem futuro com o rádio de pilha na orelha surda, ou no que diz o rádio sob a forma de ondas paralíticas, para quem pensa que tem um futuro – e ele passou enquanto se pensava sobre. não está na luta de classes pelo poder maior, ou nas desavenças embriagadas pelo ego menor. não está em hierarquias que estabelecem cicatrizes nos rostos sujos de lama, ou nos frutos podres feitos de papel timbrado na gaveta de uma repartição superfaturada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;não está na gaivota cansada que mergulhou fundo e não encontrou o peixe, ou no peixe que fugiu da gaivota cansada e foi engolido por um tubarão. não está na menina com mau hálito que me olha e não gosta do que vê, ou na outra, de cintura abaloada, que diz à amiga que detesta comida japonesa – pelo que a amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não está na menina de dentes separados que lê meus papéis e pede um sexo rápido – pelo que a amo e descubro o quão simples é amar, sem que ela saiba no entanto como, muito menos eu, sem que ela esteja aqui de fato, simplesmente porque amar pode ser fácil, mas tente fazê-lo fato e você vai ver uma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é um exercício saudável, depois de todas as bebedeiras, de todas as mortes instantâneas pela cruz do tempo, das amarguras escondidas por trás de sorrisos amarelados na fila do caixa rápido, dos corações ainda quentes abandonados sob a chuva forte, das razões perdidas em minutos de vida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;pura, que te matam, porque assim manda o estado de direito, é importante, depois de toda beleza que se esvaiu em lágrimas, perguntar a si mesmo onde não está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando te gritarem – achei! não te assustes nem te afugentes. apenas sorria e ignore. não está ali também. mas um pouco de delicadeza nunca é dispensável quando se pode matar com as próprias mãos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e então, talvez um dia, quem sabe hoje, quem sabe agora, enquanto lá fora voa um passarinho na direção do predador, ou no dia em que, honestamente, soubermos identificar todos os lugares onde não está, saberemos por fim o que procurar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leo Marona.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-117077041969872815?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/117077041969872815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=117077041969872815&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/117077041969872815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/117077041969872815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/02/continue-procurando-no-est-nas-salas.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-117016104117125836</id><published>2007-01-30T10:43:00.000-02:00</published><updated>2007-01-30T10:44:01.193-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;Ode an die freude&lt;/em&gt;. (Ode à alegria)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Freunde, nicht diese tone!&lt;br /&gt;Sondern labt uns angenehmere anstimmen&lt;br /&gt;Und freudenvollere!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Ó amigos, não esses sons!&lt;br /&gt;Cantemos, antes, algo mais agradável e alegre!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira estrofe do poema de Schiller; coro final da Nona Sinfonia de Beethoven.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado por João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-117016104117125836?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/117016104117125836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=117016104117125836&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/117016104117125836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/117016104117125836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/ode-die-freude.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116965633927361592</id><published>2007-01-24T14:25:00.000-02:00</published><updated>2007-01-24T14:32:19.320-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“dialética do imponderável”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou seja, nada daquilo que se faz por nada&lt;br /&gt;com ganas pela substância branca do tédio.&lt;br /&gt;sou precaução viária de corpos em choque,&lt;br /&gt;guardanapos manchados de sustos feéricos&lt;br /&gt;guardados no ventre dos astros que morrem.&lt;br /&gt;comungo mudo e tudo foi sempre tanto que&lt;br /&gt;quanto mais tanto menos comigo consigo e&lt;br /&gt;se fundar meu canto na vida fosse possível,&lt;br /&gt;a ponto de ser alçado livre em estado bruto,&lt;br /&gt;meu tanto que sem elos perdura na medula&lt;br /&gt;seria enfim o mínimo que te necessito nua,&lt;br /&gt;ou seja, tudo daquilo que se faz por tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116965633927361592?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116965633927361592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116965633927361592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116965633927361592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116965633927361592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/dialtica-do-impondervel-ou-seja-nada.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116922642664825946</id><published>2007-01-19T15:05:00.000-02:00</published><updated>2007-01-19T15:07:06.693-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Mas o concerto recomeçou e Swann compreendeu que não poderia retirar-se antes do fim daquele novo número do programa. Afligia-o ficar preso no meio daquela gente cuja tolice e ridículo tanto mais dolorosamente o feriam porque ignoravam o seu amor, incapazes, se o conhecessem, de por ele interessar-se e de fazer outra coisa senão sorrir como de uma infantilidade ou deplorá-lo como uma loucura, todos lho faziam aparecer sob um estado subjetivo que só existia para ele, Swann, e de que nada exterior afirmava a realidade; sofria, sobretudo, e a tal ponto que até o som dos instrumentos lhe dava desejos de gritar, de prolongar o seu exílio naquele lugar aonde Odette jamais viria, onde ninguém, onde nada a conhecia, de onde ela estaria de todo ausente.&lt;br /&gt;            Mas de súbito foi como se ela tivesse entrado, e essa aparição lhe foi de uma dor tão dilacerante que ele teve de levar a mão ao peito. É que o violino subira a notas altas onde permanecia como para uma espera, uma espera que se prolongava sem que o instrumento cessasse de as sustentar, na exaltação em que estava de já perceber o objeto da sua espera se aproximava, e com um desesperado esforço para durar até a sua chegada, acolhê-lo antes de expirar, manter-lhe ainda um momento com todas as suas derradeiras forças o caminho aberto para que ele pudesse passar, como se sustenta uma porta que sem isso retumbaria. E antes que Swann tivesse tempo de compreender e dizer consigo: “É a sonata de Vinteuil, não escutemos!” todas as lembranças do tempo em que Odette estava enamorada dele e que até aquele dia conseguira manter invisíveis nas profundezas do seu ser, iludidas por aquela brusca revelação do tempo de amor que lhes parecia ter voltado, despertaram e subiram em revoada para lhe cantar perdidamente, sem piedade para com o seu atual infortúnio, os refrãos esquecidos da felicidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[‘No caminho de Swann’ -  Proust. – p.201]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado pela Dani Szwertszarf.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116922642664825946?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116922642664825946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116922642664825946&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116922642664825946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116922642664825946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/mas-o-concerto-recomeou-e-swann.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116890363679366608</id><published>2007-01-15T21:25:00.000-02:00</published><updated>2007-01-15T21:27:16.886-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Ana C.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;a poesia,&lt;br /&gt;se insiste,&lt;br /&gt;se cisma,&lt;br /&gt;(instinto?)&lt;br /&gt;é um passo&lt;br /&gt;na direção&lt;br /&gt;do abismo&lt;br /&gt;(infinito?)&lt;br /&gt;ou então são&lt;br /&gt;dois passos&lt;br /&gt;e um colapso&lt;br /&gt;(suicídio?)&lt;br /&gt;nos casos&lt;br /&gt;de cascos&lt;br /&gt;mais raros&lt;br /&gt;(primitivos?)&lt;br /&gt;ou um coice,&lt;br /&gt;patada de pena,&lt;br /&gt;porque as asas&lt;br /&gt;(comprimidos?)&lt;br /&gt;estão na cabeça&lt;br /&gt;e não nas pedras&lt;br /&gt;portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116890363679366608?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116890363679366608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116890363679366608&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116890363679366608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116890363679366608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/ana-c.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116817926625796714</id><published>2007-01-07T11:39:00.000-02:00</published><updated>2007-01-07T12:25:12.453-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;PAPEL E FOGO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(fragmentos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segredos anis destoam a paisagem, vasos vermelhos se quebram ao encontro das formas-transformação, ao longo dos ares, os vejo por todo canto, a desvelar o inexistente. Quem quer morrer nas lojas enfeitado de jóias até as ancas largas-douradas? Senhoras-infinito passeiam pelas sombras, enquanto cartazes anunciam a sessão do encontro essencial. É chegado o tempo das hordas de festins enfastiados. Homens de gravata em greve de fome – que amarrem o trabalho ao vôo das lesmas. Para abraçar a multidão é preciso ter sonhos de ouro, braços de magia violeta, manhãs de desolação! Ó, dia que nunca chega! Insuportável beleza de graça! Amores reluzentes! Que nunca mais se veja viçar a hipocrisia. Que nunca mais se assassine um dia como este – tão branco, tão preto! Dia de tua volta, minha delícia. O fim chegou ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Desperdícios, desperdícios, desperdícios.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhos arbitrários de mim, fui indo pela alameda que recolhe os mais duros olhares das outras vidas, à margem de um grande acontecimento. Piso nas dores, desdobro meus segundos em borboletas das mais várias cores escapando das minhas mãos, dos pulsos abertos gotejando o vermelho incrível na prévia dos meus passos. Quase como um sussurro, quase como uma sétima maravilha, socorros voejando ao meu redor. A miséria das impossíveis cascatas em desejos de nem o que será nem o que não pode ser. Arrebento a solidão contra a parede do meu quarto. A estase absurda dos objetos trepida. Estou a um passo de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje. Hoje acordei na casa onde nasci. Minha mãe me viu a menina, e eu encolhi no medo do mundo, esta teia das glórias de triplas faces. No colégio da infância, onde aprendi a obedecer, e as menos complexas equações da química moderna – meninos roubavam meu orgulho, no parque das areias revoltas, onde aprendi a brincar. Os professores nunca entraram na conspiração de sonhos típicos que tramamos nos banheiros. Salvo um, salvou-me, ídolo de jeito sisudo no contraste das delicadezas. Aos quinze anos, comecei tudo outra vez, me afoguei nos velhos saberes. A idéia da crítica devorou vestígios da felicidade. Memória d’água em franca ebulição. (Ando à procura da curva em torno de mim.) Quando aprovaram-me para a vida, aos 18, assustei-me diante de minhas artérias entupidas. Nunca havia ouvido sobre o bicho que mora no meu peito, nem a prece contida na respiração acelerada. Sou mesmo uma boneca, e nada de críticas ferozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem-me andando como um balão antigo, o homem blusa vermelha abaixa cabeça branca, eu passo em vias de desfazer-me folhas, nunca o olhei. Hoje chuva duradoura, as promessas se prolongam nos carros indo longe, estou com um frio daqueles de não se ter consolo. Talvez seja a hora do outro, talvez não seja agora. Deixo deixa desleixo, farpas de instantes em roupas surradas, bueiros fundos revelam meninos, minha cidade morre toda manhã. As fachadas ilustres da decadência se refletem no sol a pino. Curto-circuito dos vazios, reflexos lançados ao léu das direções. Nem a noite se acredita, e falta tão pouco para acordarmos. Deixo deixa desleixo, eu prefiro ficar em silêncio, minha vida mingua em cantos indiferentes. Até parece que era para ser tudo importante. Vou esquecer, enquanto atravesso entre as pontes, (e essas ruas que apertam minhas distâncias), como se desaba no caminho que só segue adiante. Tenho levado sustos, a abertura dos olhos não cede espaço, o coração continua apertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sentes a paixão inflando dentro, os braços segurando a gigante-bolha-firmamento, tu és uma estrela em disparada, luzindo, zindo, záz!  – cicios aproximam-se sorrateiros, vozes vazam pelas brechas de quem és, rodeiam teu intenso sentimento, assassinando-o pelos limites. Louvemo-los. São os carrascos da pequenez. Inocentes como vampiros infantes. Freiam-no antes que lhes atropele. Nem no inferno há lugar para ti. Ecos, amigos, fantasmas, vindos de mundos distantes onde a lei é que se esconda cada coração em celas de celas de celas (...), súbito emergem como bocas do abismo: nada é novo, nesta vida, não te inquietes. Já já verás o sofrimento mais terrível, aquele que nunca chega, só se anuncia. Vês a ti mesmo, então, vivendo atrás dos ecos, fugindo e esperando. Trancado no preciso entre, uma precisa confusão, um preciso tormento de segredos. Segues entre segredos que te espreitam pelos rastros dos teus passos. Se deixas aberta a porta, vês logo minguar tua flama, fogo tíbio. Impotência atroz calando teus gestos. Respiras, então, respiras forte, infla teu vazio, somos amigos rarefeitos submersos no sonho colorido. Somos compactos e pesados, enveredados por uma grande lógica. Tacanhos e diminutos frente ao exército das solidões embotadas. Renego, nego, negro doce sabor de viver. Martelo contra a minha rotina o quadro dos hábitos, quadrado dos atos. Estou segurando os afetos em derrisão. Estou com medo da liberdade. Um resto de voz tímida luta contra este inferno, elege-me a mais doce, mais bonita, mais valiosa peça do salão dos espíritos ermos, ébrios, eus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero fórmulas para nenhuma vivência – acontecer em plena desatenção – pontos de prata-estelar estourando nos tímpanos de ébano contidos sobre as calçadas – ouvir o estrondoso acorde de sublimes efeitos – portões de ferro abrindo-se no meu peito. Banhar-se com o desenconto dos acasos de verão. Destituir as ausências de seus sentidos profundos, sorrindo largamente para qualquer estribilho - desinventar inteligências, parir dez noites por dia, ao longo das alegrias surpreendidas com o ar. Por que decolar hoje, se o amanhã predestinado aos futuros exatos? Por que não aprender com a cegueira de ninfas em eterna grega flor? Vou desinventar a beleza até que tudo decida começar em mim. Despojada enfim de todo orgulho – o anúncio da minha libertação. Da bagunça monumental de caminhos evolui um cheiro de algo antigo esquecido dez-mil anos por minuto, todos os perdões por tempestade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais segredos ela acumulava, mais sua fisionomia acusava uma distância. Querer chegar-lhe perto, com um carinho como se eu fosse uma santa, idólatra profana de vidas mal-tratadas, era escancarar no impossível um rosto de monstro adormecido pelos anos imprensados entre mentiras e despautérios. Ela sabia, eu sorria, já virando para o próximo passo, com uma janela a mais fechada nas minhas mãos, outro não, apenas, e tudo seguia como uma grande indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manifestações naturais, mais escassas e mais, quando apareciam, como uma verdade contida rompendo um muro de ferro, me flagravam num desentendimento infantil, que eu  logo convertia numa fortaleza construída ao redor da área de possível invasão, até que, numa compreensão deslizando suave até me alcançar, envelhecer para mim significava a gradual vitória do meu vício sobre a minha inocência, e morrer não seria mais a entrega dos meus tormentos à sua desaparição, mas a compreensão do meu avesso no seu não ser, e eu não morreria por não haver mais eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contornos se liberam no espaço, formas se amparam (se derruindo para se encontrar), num amálgama de cores velado pela minha desatenção. Desalinho do teto, arestas se desapegam, decaindo em cascatas de pouca fluidez. O devagar concede elegância a esta queda. Dança de linha retas. Crise da estrutura. Estamos em todos os quartos, quase no tempo do mesmo. Aqui, logo ali, como nos fugindo, nos encontrando, sem atalhos, só os brutos caminhos. Paredes de intenso brilho branco, gigantes placas de resinas plásticas, rearrumam-se, recriando os limites – no acompanhamento de sua presença. Labirinto disperso num rearranjo por ti guiado. Sempre dando-lhe passagem. Você, suave alabastro em movimento, cabelos negros e flores vermelhas decalcadas pela pele nua, no seu andar ganha relevo o meu carinho por todas as coisas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não quer que eu morra, e eu vou morrer. Deixe-me morrer como rios ressecam. Veja meu rosto cru. Árvores dilatadas nos braços; pelas pernas, filetes de roxo-prateado. Veja-me mil anos, ama-me ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116817926625796714?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116817926625796714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116817926625796714&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116817926625796714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116817926625796714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/papel-e-fogo-fragmentos-segredos-anis.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116813741038187512</id><published>2007-01-07T00:30:00.000-02:00</published><updated>2007-01-07T00:36:50.396-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Mão dupla&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai com um pé dentro e,&lt;br /&gt;o outro, dentro de coisa outra.&lt;br /&gt;Como se calçasse sapatos&lt;br /&gt;de diferentes pares&lt;br /&gt;para andar às margens da lagoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada passo a seu peso,&lt;br /&gt;cada tempo a seu compasso.&lt;br /&gt;Ele caminha em duas direções,&lt;br /&gt;a um passo de perder o próprio rumo&lt;br /&gt;para o acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço que fique descalço,&lt;br /&gt;para sentir o plexo da terra:&lt;br /&gt;a melhor vitrine de sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecilia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116813741038187512?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116813741038187512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116813741038187512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116813741038187512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116813741038187512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/mo-dupla-vai-com-um-p-dentro-e-o-outro.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116801679026440424</id><published>2007-01-05T15:04:00.000-02:00</published><updated>2007-01-05T15:06:30.306-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>PAPEL E FOGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(fragmentos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um arco tenso fecha em 360 graus. Pai. Dentro dele, um vermelho esparramado tende às suas bordas circulares. Mãe. Esta é a auréola que coroa o filho à prisão dos seus sonhos. Há algo na morte que se assemelha a esta tensão do círculo atento aos que lhe escapam. O desespero sublinha os pés do filho, equilibrista sobre o amar e a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Toda molhada, a cidade faz nanquim das luzes em movimento. A noite contrasta com o asfalto, preto sobre preto. Os carros freiam amontoados por uma rua que sobe plana pelos meus olhos desiguais, as luzes se arrastando – súbito sustém, sustenidas, estridentes. Tudo pára neste assobio. Bolotas vermelhas pelo ar, sombras borradas estiradas pelas poças. Sorrio para uma eternidade torpe. Ela é linda. A tarde fora embora, suavemente, numa fumaça embaçando o horizonte, a perdida precisão do cinza, tudo quer ser um. Ela faz nanquim das luzes em movimento, ela é linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Houve um determinado momento, alguém me disse quem eu era, e minha chaga abriu-se. Foi de repente, numa palavra, num gesto, num acidente qualquer, não disse muito nem disse pouco, foi além dele, para aquém de mim mesmo, eu olhava vendo o que acontecia, meus braços caindo, minhas pernas ficando para trás, correndo desesperadamente da minha fuga, eu e a minha chaga púrpura correndo pela rua, logo vejo, o borrão alastrado no meu peito, a rua nem existe mais. Uma outra marca, eu vou carregando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Haste corcunda atira jatos de delírios-verdade ao seu extremo – mas não larga este quase desabrochar. Nevascas de orquídeas em fileiras lamentam-se com seus olhos de fogo. Flocos amplos no contorno da visão, milágrimas, dom de detalhes. Gélida distância suspensa ao redor deste lânguido fuzuê inventado pela divindade das notas-repetições.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116801679026440424?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116801679026440424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116801679026440424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116801679026440424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116801679026440424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/papel-e-fogo-fragmentos-um-arco-tenso.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116795553913071249</id><published>2007-01-04T21:58:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T22:05:39.160-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os Limões&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta-me, os poetas laureados&lt;br /&gt;circulam apenas entre plantas&lt;br /&gt;de nomes pouco usados: buxeiros, alienas ou acantos.&lt;br /&gt;Eu, por mim, prefiro os caminhos que levam às valas&lt;br /&gt;cheias de mato onde em lamaçais&lt;br /&gt;já meio secos meninos apanham&lt;br /&gt;alguma esquálida enguia:&lt;br /&gt;as trilhas que bordejam os taludes descem por entre os tufos de caniços&lt;br /&gt;e se metem nas hortas, entre os pés de limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto melhor se a algazarra dos pássaros&lt;br /&gt;se dissipa engolida pelo azul:&lt;br /&gt; mais claro se escuta o sussurro&lt;br /&gt;dos galhos amigos no ar que mal se move,&lt;br /&gt;e as sensações deste cheiro&lt;br /&gt;que não se larga da terra&lt;br /&gt;e faz chover no peito uma doçura inquieta.&lt;br /&gt;Aqui se cala por milagre&lt;br /&gt;a guerra das desencontradas paixões,&lt;br /&gt;aqui até a nós, os pobres, toca uma parcela de riqueza&lt;br /&gt;e é o cheiro dos limões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê, neste silêncio no qual as coisas&lt;br /&gt;se entregam e parecem prestes&lt;br /&gt;a trair o seu último segredo,&lt;br /&gt;às vezes esperamos&lt;br /&gt;descobrir um defeito da Natureza,&lt;br /&gt;o ponto morto do mundo, o elo que não prende,&lt;br /&gt;o fio a desenredar que enfim nos leve&lt;br /&gt;ao centro de uma verdade.&lt;br /&gt;O olhar perscruta em volta,&lt;br /&gt;a mente indaga concerta desune&lt;br /&gt;em meio ao perfume que se espalha&lt;br /&gt;enquanto o dia enlanguesce.&lt;br /&gt;São os silêncios em que se vê&lt;br /&gt;em cada sombra humana que se afasta&lt;br /&gt;alguma Divindade surpreendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a ilusão se desfaz e o tempo nos devolve&lt;br /&gt;à cidade ruidosa onde o azul mostra-se&lt;br /&gt;apenas por retalhos, no alto, entre as cimalhas.&lt;br /&gt;Castiga a chuva a terra, então; se espessa&lt;br /&gt;o tédio do inverno sobre as casas,&lt;br /&gt;a luz torna-se avara — a alma, amarga.&lt;br /&gt;Quando um dia de um portão mal fechado&lt;br /&gt;entre as árvores de um pátio&lt;br /&gt;nos surge o amarelo dos limões;&lt;br /&gt;e no coração o gelo se dissolve,&lt;br /&gt;e no peito estalam&lt;br /&gt;suas canções&lt;br /&gt;as trombetas de ouro da solaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugenio Montale (tradução: Geraldo H. Cavalcanti).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116795553913071249?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116795553913071249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116795553913071249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116795553913071249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116795553913071249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/os-limes-escuta-me-os-poetas-laureados.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116775128052214334</id><published>2007-01-02T13:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T13:21:20.543-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;os malditos não choram ou elegia ao pão de cada dia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                                                                                                dedicado a John Coltrane e Tia Mulata&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pão beijo na boca padaria madrugada café na cama ereção matinal namorada filé com fritas tédio fugidio declínio cama levita uivo desejo pálido copula evita destino trágica relação mutante orgulho cálido ovulação borbulhante de pus sangue escárnio casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pão bebum no ralo da sinuca bafo de pinga punho escarro fétido na cara tapa de quem parece tua própria cara lavada amarga verniz da morte acalentada acende desfiladeiro armas e corações partidos copos de vidro mesas onde brindávamos até o fim da noite amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pão passo firme no soalho ímpeto de mãos vazias prantos pavor pecado bafo frio cigarro longas unhas curvas túmulos dos teus desejos medonhos sonhos cultivados para sempre serem roídos ombros contrações latentes do teu sorriso sujo guardado junto do teu contato em esponjas de sol luz de banho sob olhar preguiça que guardava costas até noite quando sinais repetem sonhos que se repetem sou inútil sem tuas sardas no meu travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pão trás leva esconde pecado perdão diário de dó de ló mentiras e alho no ritmo do vai e vem no nó da aureola do diamante intacto recente maculado a cada pão que sopra hálito diabo nas orelhas maltratadas por razões entranhas estranhas ao próprio diabo que é você mesmo com um saco de pão nas mãos voltando pela madrugada cara lavada perfumada outra para cair nos braços da mesma maior pecadora que aceita recolhe cacos das fatia de amor sobra da devassidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pão eterno cúmplice único a quem não precisamos jamais perdoar por seus farelos ou pedir perdão pelos sacos escuros onde os guardamos à noite quando só as formigas se mexem para sempre abandonados capachos da dor a quem muitos murmuram destinos e pecados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116775128052214334?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116775128052214334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116775128052214334&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116775128052214334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116775128052214334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/os-malditos-no-choram-ou-elegia-ao-po.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116775112261030902</id><published>2007-01-02T12:46:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T13:18:42.626-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hope is the thing with feathers&lt;br /&gt;that perches in the soul&lt;br /&gt;and sings the tune without the words&lt;br /&gt;and never stops at all.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;and sweetest in the gale is heard.&lt;br /&gt;and sore must be the storm&lt;br /&gt;that could abash the little bird&lt;br /&gt;that kept so many warm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I've heard it in the chillest land&lt;br /&gt;and on the strangest sea.&lt;br /&gt;Yet, never, in extremity,&lt;br /&gt;it asked a crumb of me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A esperança é um ente com penas&lt;br /&gt;que na alma pousa.&lt;br /&gt;e entoando cantiga sem palavras&lt;br /&gt;jamais repousa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o seu canto é mais doca em pleno vento.&lt;br /&gt;só a violenta procela é que arrefece&lt;br /&gt;e intimida o pequenino pássaro&lt;br /&gt;que a tantos aquece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos mares mais estranhos eu o vi&lt;br /&gt;e em terras geladas.&lt;br /&gt;Contudo mesmo em situações extremas&lt;br /&gt;jamais me pediu nada.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily Dickinson. In: Eliot, Dickinson e Depestre: seleção. Tradução Idelma Ribeiro de Faria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116775112261030902?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116775112261030902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116775112261030902&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116775112261030902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116775112261030902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2007/01/hope-is-thing-with-feathers-that.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116750117662926792</id><published>2006-12-30T15:52:00.000-02:00</published><updated>2006-12-30T15:52:56.646-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O amanhã dos bosques verdes e da manhã de todos os sóis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repulsiva esperança. Sutil como o diabo. Quem me tenta, Aquele que se esconde, e me escancara. Essa atração pelo pavor. A esperança surgiu do nada. Virei o pescoço e ela já estava ali, mais perto de mim que meu próprio rosto, toda brusca e verde, invadindo meu segredo. Pousou bem no ponto onde meu sonho se espreguiçava, leve virava o rosto para fora, reluzindo as mechas soltas pela face. O sol vinha de dentro de seus olhos. Trespassava a fortaleza castanha, por magia-desencanto, turva obscura, opaco jeito de se resguardar, se esparramar na pele do ar. Os raios se emaranhavam em seus negros cílios longos. Quando enfim libertos, refulgentes. Desmaiam meus gestos neste excesso de claridade marfim. Camisola e coxa. Miragem roça desejo. Seus lábios rasgavam um sorriso de pequenos cristais, engoliriam mares e pernas, num só intento, me olhassem. Eu abriria tudo, como páginas de papel-seda, roçadas uma a uma, desmilinguindo ao encontro da saliva, afogada de ebulição. Ela não é feia, a esperança, vai além do asqueroso. Sua vida é um insulto. De esboço-nuvem, meu desejo ganha corpo, e a sua falta. O maior querer coincide com uma rejeição tão reles, distendendo o sublime numa reta. O límpido sonho secreto do covarde. Como se explica? Desígnios. Uma esperança é uma folha em estado de vida veloz. (Estão as duas na origem do amor.) (Incômodos.) Liguei. O ato que arrancou o peso para fora. Implode o tempo que se comprimia numa espera, chumbo-derrear, folhas ao vento. Se desmancham meus planos, meus intentos. Nada mais vejo ao redor. Pés afundados numa poça aberta de nada. Vejo-a, agora, ela percorre o fino umbral da janela. Como estilete, roça o metal ao longo de todo o colo do bicho. Suas patas magras incomodam pela destreza excessiva – elas se alongam e dobram e abrem como engolissem minha habilidade, são tão frágeis. É excessivo, seu gesto, mínimo que seja. O equilíbrio é apenas uma impressão, a primeira, bem de perto, está tremendo, tanto. Para minha brisa para ela ventania. O mundo se deforma à sua semelhança. Nela adivinho o que quero ouvir. Oráculo do inferno. A esperança é maior do que a janela, maior do que o quarto, maior do que eu. Também a noite diminui aos pés da minha janela. A intensidade do verde sobrepõe-se ao preto do fundo, preto sem fundo, sem fim, diamante. Olho-a fixamente. Contemplo o crescer do meu espanto. Percorro as suas dobras suculentas, suas asas no contorno da carcaça, as crateras de que são feitas seu rosto. Tanto a olho que sinto suas patas picando meus glóbulos. Pisco, pisco! Elas vêm por dentro, rompem a película da retina até sentirem o ar, por fora. Uma leve coceira, da qual desconfiaria, gesto de mão jogado fora, e logo esqueceria, no embotamento corriqueiro da minha necessidade de ir, simplesmente ir. As patas todas escapam, pululando suspensas, enquanto corpo denso da esperança fica atravancado na curvatura interna da retina. Pisco, pisco, as pontas das patas arranham minhas pálpebras, as patas se enervam, rasgando-as. O corpo não consegue sair, e fica preso, impedindo meus olhos de se fecharem. Meus cílios acariciam suas asas verdes, murchas, incapazes de voar. Anjo verde  renegado, decaído no meu colo. Seus olhos vermelhos encostam no meu. Berro. Só quero esquecer. Fico onde estou. Impossível olhá-la mais de perto, meu olhar omisso. Ainda que a espreite, confesso, ao ritmo da minha ansiedade, apenas para constatar a sua presença, anulando de antemão a surpresa do ataque, nesse silêncio. Mesmo sabendo: o medo é mútuo, também o tem a minha esperança. Aconteceu da fragilidade ter sido absolutamente estirpada do meu campo de visão, precisão cirúrgica destes meus gestos oníricos. Não me cabe. Ela é a crosta do esqueleto, não menos, com duas bolas vermelhas na cabeça, prestes a escapar deste cerco de mentiras. Às vezes, até me esqueço de sua presença. Retorno em movimentos habituais pela casa, de ir e vir, cá e lá, como em vago fluir. Então, de novo, inesperadamente, deparo-me com essa coisa escancarada. Um verde repulsando no abismo. Retomo pouco a pouco o fio do sentimento que ali eu havia abandonado. Arrumo e desarrumo os objetos, os pensamentos. Não desejo vê-la indo embora, é verdade, isso seria enfim a morte. E o depois é sempre uma armadilha. Deu-me as costas, o bicho, ele está prestes a saltar. Não sei porque ele pára. Ele pára e fica. Indefinidamente. Ele pára tanto que pára dentro de mim. O que o tem no parado? Nem a minha cortina pára como esse bicho. Instinto e expulsá-lo enquanto o engole meu olhar, para a garganta sem fundo da memória. Ela esculpe lembranças, estátuas do passado. Há verdade demais. Há uma vida que já temo não poder continuar. Não vai acontecer, seja o que for. Este alívio me renasce toda. Embora já comece outra vez. Uma desconfiança, e logo a dúvida contaminada pelo meu ceticismo. A esperança ainda não foi embora. Meço meus passos com os dela, meu espaço tem a sua dimensão. Ingênuas e profundas, entregues ao mesmo, como se novo ele fosse. Ela tão verde, eu imatura. Somos a mesma, dormimos no mesmo vício, bebendo da mesma doença. Não sabendo ambas o ponto de encontro, não demarcado, espraia-se indefinido. Foi desprevenido vivo. Foi instante-vermelho-fagulha. Nem se tem corpo ou se para sempre ficará num único segundo em que a possibilidade encontrou o infinito. O que será esta maldita esperança? Nunca indo embora, ela é o adeus. Qualquer um deles. O que se dá ao momento perdido enquanto sonho, adeus que o sonho – realizando-se – acena ao seu criador. A rejeição é toda a contra-face da esperança. E esta repulsa, meu Senhor? A repulsa está em mim, a repulsa sou eu. Meus movimentos são flagras de fugas, fugas de fugas fugas etc. Tudo vai embora, só fico eu com essa cisma do ficar. Sem raízes, sem peso, sem certezas. Fico e fico novamente. Fico como quem não sabe andar. Fico como um sussurro, até distanciar-me, baixio, o suficiente para sobrar-me lembranças de um rio meio esquecido, meio inventado. Assim o que passa se redime. A repulsa é a própria realidade. Prostrada ao canto do sofá, ouço vozes atravessadas como flechas. Quero tudo o que não posso ter. No fundo, sou aquela que é a incapaz de me querer. Meus desejos sobem-me e multiplicam-se, multidões de desejos bastardos, espocando como bolhas de carne, corrosivas. Ruminam meus intestinos. Infernal inferno pálido. Estatelada, me desfaço lentamente. Deixo peso passar. Venta vento. Brinco brinco. Resfrio-me. Rio de nadas e ilusões. Nada é preciso. Portanto, não tenho medo. As voltas se responsabilizam pelos meus acasos. Sete vidas vezes sete chances. Sete cores, mil espelhos. Absoluta é a falta de qualquer certeza. Todos os caminhos se abrem em dois, sucessivas aberturas, rodopiar de folhas-sedas, cedendo ao vento. Sou esse ouvir aberto, porvir de mim mesmo. Separo os membros do corpo, como estrela morta. Como desabasse sob o chão. Deixo a cabeça pender para trás. Abro os olhos. Há uma lúcida estabilidade no teto. O vento sopra, e tudo reduz-se a este sopro. O sopro é ainda maior que a esperança. Leva embora esta noite, leva o estilete improvisado na janela, leva também o meu amor. Clara está a combinação do que ali me atraía, ao mesmo tempo repelindo-me. Adormeço à minha revelia. Descanso. A janela aberta, caso quisesse voar embora a esperança. Ela sai, finalmente. Saiu voando a minha folha de encantos, acordando-me numa manhã esmaecida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(daniela szwertszarf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116750117662926792?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116750117662926792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116750117662926792&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116750117662926792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116750117662926792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/12/o-amanh-dos-bosques-verdes-e-da-manh.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116743966703173976</id><published>2006-12-29T22:46:00.000-02:00</published><updated>2006-12-29T22:47:47.046-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>constrangimento mais terno o&lt;br /&gt;dos corpos que se esquecem à&lt;br /&gt;primeira vez de todas as vezes,&lt;br /&gt;insuflando de tempo essa bolha,&lt;br /&gt;membrana mucosa como mácula&lt;br /&gt;de ventre, que cisma em sempre&lt;br /&gt;almiscarar o paladar de quem chove&lt;br /&gt;seu açúcar em um poema experimental,&lt;br /&gt;tessitura qual sonata de stravinsky,&lt;br /&gt;licença poética do soneto que não se tece,&lt;br /&gt;peripécia de quem sabe o curso e&lt;br /&gt;o percurso dessa brisa no trigal das&lt;br /&gt;invejadas virgens e deste rebento, o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecilia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116743966703173976?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116743966703173976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116743966703173976&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116743966703173976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116743966703173976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/12/constrangimento-mais-terno-o-dos.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116732094498763115</id><published>2006-12-28T13:47:00.000-02:00</published><updated>2006-12-28T13:49:05.003-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“o pequeno suicídio de e.e. cummings”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;r&lt;br /&gt;o&lt;br /&gt;o&lt;br /&gt;m&lt;br /&gt;suicide rose a selforgot&lt;br /&gt;sometimes imagine but I&lt;br /&gt;somehow real smiles not&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;for moment blood hands&lt;br /&gt;easier would who dance&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cloud midnight t(ear) t(error)&lt;br /&gt;trigger crash mirror near narrow&lt;br /&gt;this is myself on the way of&lt;br /&gt;a&lt;br /&gt;n&lt;br /&gt;t&lt;br /&gt;s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116732094498763115?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116732094498763115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116732094498763115&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116732094498763115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116732094498763115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/12/o-pequeno-suicdio-de-e.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116707038733422480</id><published>2006-12-25T16:08:00.000-02:00</published><updated>2006-12-27T16:18:00.706-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dessoneto em valsa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela larga o corpo fausto sobre o meu, exausto, e&lt;br /&gt;leva-me à boca trêmula o peso do primeiro beijo,&lt;br /&gt;sorri um escândalo de espasmos proibidos e&lt;br /&gt;serra-me os olhos em seus gemidos líquidos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela encaixa o ouvido em meus mamilos rijos e&lt;br /&gt;põe-se a ouvir o eco de minha infantil alegria&lt;br /&gt;amanhecida nos rumores de nossa assimetria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela adormece em meu úmido castelo e&lt;br /&gt;Agarra-me os cabelos com seus dedos flácidos,&lt;br /&gt;Sonhando baixo para não acordá-lo, ele&lt;br /&gt;que, deitado ao lado, alinhava o elo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele escorre, por entre a nossa, sua languidez&lt;br /&gt;se apossando dos dois corpos nessa mesma valsa,&lt;br /&gt;um, dois, três; um, dois, três; um, dois, três...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecilia Cavalieri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116707038733422480?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116707038733422480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116707038733422480&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116707038733422480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116707038733422480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/12/dessoneto-em-valsa-ela-larga-o-corpo.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116593113598819751</id><published>2006-12-12T11:44:00.000-02:00</published><updated>2006-12-13T19:19:42.296-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;“a morte quase banal de um homem quase comum”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um homem sentado na escuridão do seu pijama&lt;br /&gt;enquanto a morte se atrasa mas espreita pelas cortinas&lt;br /&gt;através de olhos de festim como pústulas envelhecidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;e o homem sentado sobre o genuflexório da sua alma&lt;br /&gt;espera a morte na cama tal qual catarata noturna&lt;br /&gt;que se atrasa sorrindo em sangue entre os dentes&lt;br /&gt;conforme a louca suicida disse certa vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;o homem transpira pensamentos incompletos sobre seres completos&lt;br /&gt;(seres ausentes ou, pelo menos, seres incompletos com astúcia)&lt;br /&gt;enquanto luas e estrelas esparramam-se sobre seu calção frouxo&lt;br /&gt;e de seus dedos brotam as sempre reticentes palavras de formol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;o homem então se vira, pede licença à areia dentro dos olhos&lt;br /&gt;e toma um gole nauseabundo do seu suco de uva reumático,&lt;br /&gt;pensando em artroses e desavenças passadas em panos de prato sujos&lt;br /&gt;sobre a mesa esquecida do dia de ação de graças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;o homem toma o suco direto da caixa&lt;br /&gt;e recorda-se de uma vagina toda raspada, de outros tempos&lt;br /&gt;como se fossem outras vidas, pensa no poeta que morreu de “insulto cerebral”&lt;br /&gt;e, em seguida, lembra do momento mais penoso do seu último dia,&lt;br /&gt;quando, além dele, duas pessoas foram hipócritas e educadas,&lt;br /&gt;sorridentes ao mesmo tempo no vácuo fúnebre do elevador de porta pantográfica&lt;br /&gt;como os dentes que ficaram de herança para os germes nos dentes postiços&lt;br /&gt;como hienas invisíveis dentro do copo d’água, indiferente à noite que não acabaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116593113598819751?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116593113598819751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116593113598819751&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116593113598819751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116593113598819751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/12/morte-quase-banal-de-um-homem-quase.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116508692530671721</id><published>2006-12-02T17:14:00.000-02:00</published><updated>2006-12-03T17:10:04.306-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;No, Plato, no&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;I can’t imagine anything&lt;br /&gt;That I would less like to be&lt;br /&gt;Than a disincarnate Spirit,&lt;br /&gt;Unable to chew or sip&lt;br /&gt;Or make contact with surfaces&lt;br /&gt;Or breath the scents of summer&lt;br /&gt;Or comprehend speech and music&lt;br /&gt;Or gaze at what lies beyond.&lt;br /&gt;No, God has placed me exactly&lt;br /&gt;Where I’d have chosen to be:&lt;br /&gt;The sub-lunar world is such fun,&lt;br /&gt;Where Man is male or female&lt;br /&gt;And give Proper Names to all things.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I can, however, conceive&lt;br /&gt;Tha the organs Nature gave Me,&lt;br /&gt;My ductless glands, for instance,&lt;br /&gt;Slaving twenty-four hours a day&lt;br /&gt;With no show of resentment&lt;br /&gt;To gratify Me, their Master,&lt;br /&gt;And keep Me in decent shape,&lt;br /&gt;(not that I given them their orders,&lt;br /&gt;I wouldn’t know what to yell),&lt;br /&gt;Dream of another existence&lt;br /&gt;Than that they have known so far:&lt;br /&gt;Yes, it well could be that my flesh&lt;br /&gt;Is praying for “Him” to die,&lt;br /&gt;So setting Her free to become&lt;br /&gt;Irresponsable Matter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo pensar em nada&lt;br /&gt;Que eu desejasse menos ser&lt;br /&gt;Que Espírito desencarnado&lt;br /&gt;Sem poder comer ou beber&lt;br /&gt;E nem contactar superfícies&lt;br /&gt;Ou sentir os cheiros do estio&lt;br /&gt;Ou compreender palavra e música&lt;br /&gt;Ou olhar para o que está além.&lt;br /&gt;Não, Deus me colocou bem lá&lt;br /&gt;Onde eu teria escolhido estar:&lt;br /&gt;Bom mesmo é o mundo sub-lunar,&lt;br /&gt;No qual o Homem é macho ou fêmea&lt;br /&gt;E dá Nomes Próprios às coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso, porém, conceber que os&lt;br /&gt;Órgãos que Me deu a Natureza&lt;br /&gt;Tais as minhas glândulas endócrinas,&lt;br /&gt;Dando duro vinte e quatro horas&lt;br /&gt;Sem mostrar ressentimento,&lt;br /&gt;Para satisfazer-me, o Mestre,&lt;br /&gt;E manter-Me sempre em boa forma&lt;br /&gt;(não que eu lhes tenha dado as ordens,&lt;br /&gt;pois não saberia o que gritar),&lt;br /&gt;sonhem com uma outra existência&lt;br /&gt;que não a que até então conhecem:&lt;br /&gt;sim, talvez minha carne esteja&lt;br /&gt;rezando para que “Ele” morra&lt;br /&gt;e, livre, Ela possa tornar-se&lt;br /&gt;Matéria irresponsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(J.M.J)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;W.H. Auden&lt;/strong&gt;. In.: Poemas. Tradução e introdução de José Paulo Paes e João Moura Jr. SP: Companhia das Letras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116508692530671721?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116508692530671721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116508692530671721&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116508692530671721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116508692530671721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/12/no-plato-no-i-cant-imagine-anything.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116447018151837589</id><published>2006-11-25T13:54:00.000-02:00</published><updated>2006-11-25T13:56:21.533-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Lapa”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existia a consciência livre&lt;br /&gt;E o ritmo perfeito dos que&lt;br /&gt;Sabiam mentir sorrindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ontem,&lt;br /&gt;por uma fresta de janela&lt;br /&gt;no pé direito alto do Bar do Juca,&lt;br /&gt;vi Nelson Pereira dos Santos numa mesa&lt;br /&gt;com mais uma porção de gente cabeça&lt;br /&gt;que falava através de cotovelos e nucas.&lt;br /&gt;do outro lado da mesa&lt;br /&gt;estava Eduardo Coutinho, o cineasta,&lt;br /&gt;contando segundos nos dedos&lt;br /&gt;sem achar a menor graça..&lt;br /&gt;olhei por algum tempo&lt;br /&gt;através do mesmo ângulo.&lt;br /&gt;Nelson Pereira dos Santos&lt;br /&gt;parecia uma criança feliz.&lt;br /&gt;Coutinho parecia um chato&lt;br /&gt;com uma peruca lilás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116447018151837589?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116447018151837589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116447018151837589&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116447018151837589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116447018151837589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/lapa-existia-conscincia-livre-e-o.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116420293543094165</id><published>2006-11-22T11:34:00.000-02:00</published><updated>2006-11-22T11:42:15.496-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;acasalamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nádegas sobre a relva&lt;br /&gt;comichando-se&lt;br /&gt;debaixo do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; João Duarte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116420293543094165?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116420293543094165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116420293543094165&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116420293543094165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116420293543094165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/acasalamento-ndegas-sobre-relva.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116415945958488349</id><published>2006-11-21T23:36:00.000-02:00</published><updated>2006-11-21T23:37:39.600-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“epiléticos”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Van Gogh&lt;br /&gt;e um corvo amarelo;&lt;br /&gt;Napoleão&lt;br /&gt;e arsênico no mercúrio;&lt;br /&gt;Alexandre&lt;br /&gt;e um grande amor eunuco;&lt;br /&gt;Júlio César&lt;br /&gt;e a amante das franjas de ouro;&lt;br /&gt;Lord Byron&lt;br /&gt;e um Don Juan incestuoso;&lt;br /&gt;Flaubert&lt;br /&gt;e a palavra justa de tão escassa;&lt;br /&gt;Dostoiévski&lt;br /&gt;e um parricida por existência;&lt;br /&gt;Lenin&lt;br /&gt;e o judeu de feições mongóis;&lt;br /&gt;Machado de Assis que,&lt;br /&gt;ainda por cima,&lt;br /&gt;era gago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116415945958488349?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116415945958488349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116415945958488349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116415945958488349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116415945958488349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/epilticos-van-gogh-e-um-corvo-amarelo.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116399177078715524</id><published>2006-11-20T01:01:00.000-02:00</published><updated>2006-11-20T01:02:50.803-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não vou me deixar roer para, aos sessenta, exibir o troféu&lt;br /&gt;de um sorriso maduro, da alma orgulhosa de seus calos.&lt;br /&gt;Não. Meu poema existe, no escuro minha ilusão respira,&lt;br /&gt;agita o hipotálamo,&lt;br /&gt;coço as dores, eletrizo minha lira.&lt;br /&gt;Velhos sábios e maduros&lt;br /&gt;vou impressioná-los filhos da puta&lt;br /&gt;seguros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Lohmann Couri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116399177078715524?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116399177078715524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116399177078715524&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116399177078715524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116399177078715524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/no-vou-me-deixar-roer-para-aos.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116325914062678602</id><published>2006-11-11T13:31:00.000-02:00</published><updated>2006-11-11T13:32:20.643-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“condominal”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui denunciado criança sem pele&lt;br /&gt;passei em comichão pelo tiro do estilete&lt;br /&gt;devagar sempre sobressaindo em brilho, o pus&lt;br /&gt;de repente uma vaga luz me embota o estômago&lt;br /&gt;acrescento ao bolo de merda pela boca&lt;br /&gt;e não sai nada.&lt;br /&gt;nasci no meio de uma terra infértil sob enfoque duro&lt;br /&gt;na casa ao lado farta família negocia enquanto janta&lt;br /&gt;um prato ziguezagueia até cair no chão e explodir&lt;br /&gt;os olhos são da mesma propriedade que os pratos&lt;br /&gt;todos se amontoam no chão atrás de quê?&lt;br /&gt;jantar de vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116325914062678602?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116325914062678602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116325914062678602&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116325914062678602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116325914062678602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/condominal-fui-denunciado-criana-sem.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116312476611799162</id><published>2006-11-09T19:43:00.000-02:00</published><updated>2006-11-10T00:12:46.193-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tadeusz Rózewicz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem é o poeta&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Poeta é aquele que escreve poemas&lt;br /&gt;E aquele que não escreve poemas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta é aquele que arrebenta grilhões&lt;br /&gt;E aquele que coloca grilhões em si próprio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta é aquele que crê&lt;br /&gt;E aquele que não consegue crer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta é aquele que mentiu&lt;br /&gt;E aquele que foi iludido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta é aquele que comeu da mão&lt;br /&gt;E aquele que decepou as mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta é aquele que parte&lt;br /&gt;É aquele que não consegue partir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Céu vazio – 63 poetas eslavos, Org.: Aleksandar Jovanovic.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116312476611799162?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116312476611799162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116312476611799162&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116312476611799162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116312476611799162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/tadeusz-rzewicz-quem-o-poeta-poeta.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116267416346424430</id><published>2006-11-04T18:01:00.000-03:00</published><updated>2006-11-04T18:02:43.476-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cartão de visita&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me curto muito assim, o frio na barriga, a tarde esvaindo-se-noite-quase. Noite quase, inseguro, voraz e sozinho, difuso em um público rock, show rolando, pop pit stop. Nessas sei que tudo mesmo corre para a perfeição, e assim vou, na canoa, "Sérgio-conexão", ao lado do "Sérgio-eu", feliz cobaia de minhas próprias borbulhas, apostando na poesia quântica, no êxtase e dimensões desta auto-confecção: "Prazer, Elemento Paisagístico de Souza, mas pode me chamar de Alento Holístico Pereira da Silva, ou, se preferir, Risco no Ar Gomes dos Santos. Profissão? Assessor de Imensidão. Oi? Mas é claro que já nos conhecemos!"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sérgio Lohmann Couri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116267416346424430?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116267416346424430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116267416346424430&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116267416346424430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116267416346424430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/11/carto-de-visita-me-curto-muito-assim-o.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116225878037879160</id><published>2006-10-30T22:38:00.000-03:00</published><updated>2006-10-30T22:39:40.423-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;"morte e vida quarta-feira cinzas”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor havia se fantasiado de cigana. Nos encontramos em Santa Teresa, em meio a pensamentos de confete, e terminamos numa cama desfeita, arrepiados de saliva. Depois que o amor tirou a fantasia, ou melhor, depois que a fantasia foi arrancada com os dentes deste que vos confessa, não houve sono nem sexo, mas houve tudo, sem nexo, pois era o amor outra vez e o amor, quando é outra vez, não admite sono nem sexo, de modo que dormimos de olhos abertos para dentro, abraçados enquanto os ponteiros do relógio derretiam sobre as notas soltas de uma orquestra dissonante no fundo do corredor já sem prédio, dentro do bairro já sem cidade. Não podia amá-la, mesmo fantasiada, afinal não se ama o meio, o amor, mas o fim, aquilo que ele não diz. E no vazio do embalo coxo de uma dança com poucos movimentos calamos juras de carnaval com beijinhos de esquimó e asas de borboleta foram encontradas dentro dos nossos bolsos, dos meus e do amor travestido de cigana inamável. No dia seguinte, como era de se esperar, ele o amor, ela a cigana, já não estavam mais lá: a fantasia era minha. Olhei no espelho e nem eu: trapos sobre um corpo estranho atravessado por idéias de sorriso no choro incontido em gases violetas. Não era  eu mesmo, mas foi tão bonito! Da pia do banheiro fiz a manjedoura. Das lâminas do êxtase a profecia. Do pulso as água de minhas palavras vermelhas. E ao lado da barriga aberta de sonhos inatos, nada além de uma carta escrita com letras gregas, trêmulas de vinho, dedicada àquela que se foi sem ter vindo. Escorreguei pelas escadarias sem saber que as escadarias eram serpentinas desenroladas conforme passos. Quando cheguei no não sei onde chegar, percebi com os dedos dos sonhos – ou seria ela? – que com sorrisos não se cabia mais nas ruas. As pessoas em volta, em minha homenagem, insistiam em ignorar minhas perguntas. Mas elas cabiam, pois carregavam pastas e frases postiças, além de carreiras de tosse. Uma ofendia a madrugada, agarrada a um poste. Outra acompanhava um funeral, cercada de mais alguns conhecidos. Entre eles um outro, muito parecido comigo, por sorte deitado, mãos cruzadas de céu, era levado pela ressaca de mãos e lágrimas, tal qual o mito de Noel. O sol fazia barulho de expectativa. As crianças estavam embriagadas, obscenas, envergonhadas dos adultos. E os adultos esfaqueavam sombras, desejo de serem reconhecidos pela própria emoção. Pus as mãos nos bolsos, pus atrás dos olhos: as asas haviam se desmanchado em cinzas da quarta estação. O sol tocava surdo a chuva reco-reco o ritmo de outro mundo onde as coisas arrastavam a pressa de um mundo pintado no interior dos anos que não passaram; ficaram deitados nos bancos de praça sussurrando nomes antigos cobertos pelas páginas sujas das notícias de ontem: olhos necrosados pelo sentimento do mesmo mundo faminto, tão perto, tão colo, tão longe, tão calo, apesar de nosso, que é hoje e sempre, meu amor. Não amo porque sou o amor, morto apesar de eterno, asco de asas pálidas perdidas como olhos pintados na cor esquálida dos bolsos secretos, apesar do que o cérebro degolado monta quando não quer se despedir do adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116225878037879160?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116225878037879160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116225878037879160&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116225878037879160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116225878037879160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/morte-e-vida-quarta-feira-cinzas-o.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116169768475288838</id><published>2006-10-24T10:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-24T10:48:04.766-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os outros formam o homem; eu o descrevo, e reproduzo um homem particular muito mal formado e o qual, se eu tivesse que moldar novamente, em verdade faria muito diferente do que é. Mas agora está feito. Ora, os traços de minha pintura não se extraviam, embora mudem e diversifiquem-se. O mundo não é mais que um perene movimento. Nele todas as coisas se movem sem cessar: a terra, os rochedos do Cáucaso, as pirâmides do Egito, e tanto com o movimento geral quanto com o seu particular. A própria constância não é outra coisa senão um movimento mais lânguido. Não consigo fixar o meu objeto (ou seja, eu mesmo). Ele vai confuso e cambaleante, com uma embriaguez natural. Tomo-o neste ponto, como ele é no instante em que dele me ocupo. Não retrato o ser. Retrato a passagem; [...] Daqui a pouco poderei mudar, não apenas de fortuna mas também de intenção. Este é um registro de acontecimentos diversos e mutáveis e de pensamentos indecisos e, se calhar, opostos: ou porque eu seja outro eu, ou porque capte os objetos por outras circunstâncias e considerações. Seja como for, talvez me contradiga; mas, como dizia Dêmades, não contradigo a verdade. Se minha alma pudesse firmar-se, eu não me ensaiaria: decidir-me-ia; ela está sempre em aprendizagem e em prova. (Montaigne, Ensaios; livro III, cap. II, [1588]).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116169768475288838?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116169768475288838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116169768475288838&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116169768475288838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116169768475288838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/os-outros-formam-o-homem-eu-o-descrevo.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116156073932576264</id><published>2006-10-22T20:43:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T09:37:41.763-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;“loucura noturna universal”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amarelo de febre – louco&lt;br /&gt;meio-terno, meio-morto&lt;br /&gt;distante, iluminado&lt;br /&gt;solitário, seco&lt;br /&gt;incendiário&lt;br /&gt;esgotado&lt;br /&gt;total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje à noite estou&lt;br /&gt;do outro lado&lt;br /&gt;do eclipse&lt;br /&gt;como se&lt;br /&gt;perdido&lt;br /&gt;na luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas isso não&lt;br /&gt;me faz&lt;br /&gt;sentir&lt;br /&gt;mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois se assim&lt;br /&gt;é comigo,&lt;br /&gt;é assim&lt;br /&gt;com o&lt;br /&gt;sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116156073932576264?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116156073932576264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116156073932576264&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116156073932576264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116156073932576264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/loucura-noturna-universal-amarelo-de.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116127509784868149</id><published>2006-10-19T13:23:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T22:21:29.583-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por fim, a praia&lt;/strong&gt;. Teus olhos molhados e nele não vejo mais nada.Sim, eles são verdes e brilhantes, mas há qualquer coisa de lúgubre nos ângulos que se formam, e, também, os teus dentes atrelados um ao outro - é bem triste- não me dizem mais nada. Nada.Atravessamos a rua apinhada de carros e caminhões de carroceria extensa (os ônibus cospem fumaça negra), atravessamos a rua em ziguezague e não nos damos as mãos- sim, é muito triste. E se pedimos mais uma cerveja, não sabemos o porquê. Não sabemos a quem brindar: não há mais tanta alegria em nossa conversa. Não há. Um peixe estremece no balde vazio antes de morrer. Por fim, quando chega a hora de dormir, não escutamos mais os grilos, as ondas ou os gatos que deslizam pelos telhados úmidos, nem mesmo um cachorrinho uiva para a lua, nada, nada; é bem triste. Simplesmente viramos cada um para o lado e caímos em sono profundo navegando além e sem prumo por sonhos blindados, distantes, escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por Natércia Pontes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116127509784868149?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116127509784868149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116127509784868149&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116127509784868149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116127509784868149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/por-fim-praia.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116096532365214097</id><published>2006-10-15T23:20:00.000-03:00</published><updated>2006-10-15T23:22:03.666-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“roçam-se os pés”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que&lt;br /&gt;todo mundo&lt;br /&gt;um pouco&lt;br /&gt;no fundo&lt;br /&gt;sem saber&lt;br /&gt;quer o amor&lt;br /&gt;que é o fruto&lt;br /&gt;de outro sigilo&lt;br /&gt;secreto sepulcro&lt;br /&gt;mal-estar noutro&lt;br /&gt;sem saber que quer&lt;br /&gt;mesmo sem dúvida&lt;br /&gt;um canto de vírgula&lt;br /&gt;que sirva de túnica&lt;br /&gt;às tardes esquecidas&lt;br /&gt;que curam e ardem&lt;br /&gt;nas noites sem lua&lt;br /&gt;nuas como aquela&lt;br /&gt;silhueta sem foco&lt;br /&gt;que falta na cama&lt;br /&gt;ao lado do cheiro&lt;br /&gt;do beijo de olhos&lt;br /&gt;do fim de semana:&lt;br /&gt;herança de traças.&lt;br /&gt;agora é tarde e frio&lt;br /&gt;os cílios se dobram&lt;br /&gt;e existe certo vazio&lt;br /&gt;que só preenchemos&lt;br /&gt;com calor hesitante&lt;br /&gt;e os pés enlaçados&lt;br /&gt;carregam o instante&lt;br /&gt;gelado com gelado&lt;br /&gt;é igual a dois lados&lt;br /&gt;para sempre sólidos&lt;br /&gt;inquebrantáveis que&lt;br /&gt;quando perfuram poros&lt;br /&gt;marcam nossa distância&lt;br /&gt;com hematomas lilases&lt;br /&gt;como flores de inverno&lt;br /&gt;na estampa do lençol.&lt;br /&gt;mas bem lá no fundo&lt;br /&gt;quando a luz falece&lt;br /&gt;todos nós esperamos&lt;br /&gt;alguém que nos ame&lt;br /&gt;como se não soubesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116096532365214097?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116096532365214097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116096532365214097&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116096532365214097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116096532365214097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/roam-se-os-ps-acho-que-todo-mundo-um.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116067371019470622</id><published>2006-10-12T14:18:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T14:21:50.220-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Newton.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa: a fruta que cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagina agora que uma mão puxando-a pelo cerne,&lt;br /&gt;desde em-flor, finalmente rompeu, da mãe-árvore,&lt;br /&gt;o talo, o qual, feito velho, incapaz&lt;br /&gt;de resistência&lt;br /&gt;a esta mão, sem braço,&lt;br /&gt;cedeu:&lt;br /&gt;tombou o fruto, espatifado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pensa que esta mesma mão puxa&lt;br /&gt;pele, olhos, cabelos e não só, também:&lt;br /&gt;entranhas, baço, fígado e rins. Ainda: aplicada&lt;br /&gt;firme sobre os ombros,&lt;br /&gt;pressiona, tenaz e sempre, até que,&lt;br /&gt;gastos, tristes, incapazes de&lt;br /&gt;opor, tombamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espatifamos&lt;br /&gt;Vergamos e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caímos,&lt;br /&gt;Devagar&lt;br /&gt;Mas&lt;br /&gt;infalível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Duarte. Outubro de 2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116067371019470622?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116067371019470622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116067371019470622&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116067371019470622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116067371019470622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/newton.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116062847596274423</id><published>2006-10-12T01:47:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T01:47:55.976-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“sem saída”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todas as frases&lt;br /&gt;são de amor.&lt;br /&gt;mesmo a frase&lt;br /&gt;de ódio&lt;br /&gt;é na verdade&lt;br /&gt;herança&lt;br /&gt;de um amor&lt;br /&gt;incompreendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116062847596274423?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116062847596274423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116062847596274423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116062847596274423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116062847596274423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/sem-sada-todas-as-frases-so-de-amor.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-116026993455822853</id><published>2006-10-07T22:12:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T22:12:15.620-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Walking&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/EbmPAHgCl_Y"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/EbmPAHgCl_Y" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br&gt;enviado por Lucas Teixeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-116026993455822853?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/116026993455822853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=116026993455822853&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116026993455822853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/116026993455822853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/walking-enviado-por-lucas-teixeira.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115999003299346865</id><published>2006-10-04T16:23:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T16:27:13.006-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Poesia ou crônica ou a rotina tem seus encantos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Régel verdinho e Raidegel abóbora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;         Bom dia, moço, o senhor teria “A idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita”.&lt;br /&gt;-         Desculpe, não entendi.&lt;br /&gt;-         É filosofia...&lt;br /&gt;-         Ah, sim, filosofia. É por aqui. Qual é mesmo o nome?&lt;br /&gt;-         Kant, com K.&lt;br /&gt;-         Sim, deixa eu ver... (busca nas prateleiras). Não, não temos. Vou conferir no sistema... (busca no computador). Não, senhor, realmente não temos este. Mas olhe só, temos outros (aponta para as prateleiras). Olhe ali ó, tem o Régel verdinho..., tem também o Raidegel abóbora...&lt;br /&gt;-         Raidegel abóbora?!&lt;br /&gt;-         Sim! Ali ó, na terceira fileira.&lt;br /&gt;-         Mas eu queria o outro...&lt;br /&gt;-         Só serve aquele?&lt;br /&gt;-         Infelizmente.&lt;br /&gt;-         Ah...&lt;br /&gt;-         Então tá, obrigado.&lt;br /&gt;-         Nada.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;João. Outubro de 2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115999003299346865?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115999003299346865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115999003299346865&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115999003299346865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115999003299346865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/poesia-ou-crnica-ou-rotina-tem-seus.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115993154070384830</id><published>2006-10-04T00:06:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T00:12:20.723-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Pedro me pediu que divulgasse estas duas peças do Fischer: "Santa Croce" e "O Rinoceronte". Ambas estarão sendo apresentadas na UniRio, respectivamente, no sábado e no domingo, com duas sessões em cada dia, às 17 e às 19hs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115993154070384830?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115993154070384830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115993154070384830&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115993154070384830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115993154070384830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/10/o-pedro-me-pediu-que-divulgasse-estas.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115949274122208342</id><published>2006-09-28T22:17:00.000-03:00</published><updated>2006-09-28T22:19:01.236-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“&lt;strong&gt;casal pula da ponte em nome do amor proibido”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cobrei dos teus olhos o que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não cobraria da tua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lá fora o vento é de água,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fraco como a memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;restam apostas ganhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perdidas nos bolsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estamos sozinhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora que somos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cor da junção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e isso é tudo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e lá fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;peixes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;azuis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115949274122208342?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115949274122208342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115949274122208342&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115949274122208342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115949274122208342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/09/casal-pula-da-ponte-em-nome-do-amor.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115941174737896143</id><published>2006-09-27T23:47:00.000-03:00</published><updated>2006-09-27T23:49:07.403-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Duas cadeiras&lt;br /&gt;na terceira fileira&lt;br /&gt;persistem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; João. 2006, 23 de setembro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115941174737896143?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115941174737896143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115941174737896143&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115941174737896143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115941174737896143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/09/duas-cadeiras-na-terceira-fileira.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115939779501945879</id><published>2006-09-27T19:48:00.000-03:00</published><updated>2006-09-27T19:56:35.033-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Amigos e colaboradores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conforme à vontade dos nossos ausentes, Luiz e Ricardo, estou assumindo a responsabilidade pelas publicações neste blog. Espero contribuições de todos vocês para manter vivo este espaço de diálogo. Para aqueles que não sabem, meu endereço é: &lt;a href="mailto:jadduarte@gmail.com"&gt;jadduarte@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abraços,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115939779501945879?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115939779501945879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115939779501945879&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115939779501945879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115939779501945879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/09/amigos-e-colaboradores-conforme.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115773627499666939</id><published>2006-09-08T14:23:00.001-03:00</published><updated>2006-09-08T14:24:35.180-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“As mulheres não estão totalmente erradas quando rejeitam as regras de vida que são introduzidas no mundo, pois foram os homens que as fizeram, sem elas. Há naturalmente rixa e arrelia entre elas e nós, mesmo a mais estrita concordância que tivermos com elas ainda será tumultuosa e tempestuosa. Na opinião de nosso autor, tratamo-las sem consideração nisto: depois de termos reconhecido que são, sem comparação, mais capazes e ardentes do que nós nos feitos do amor, e que aquele sacerdote antigo (Tirésias) assim atestara, ele que fora ora homem ora mulher, venus huic erat ultraque nota (“ele que conhecia Vênus em suas duas formas” Ovídio, Metamorfoses) e, ademais, depois que ouvimos da própria boca deles a confirmação que deram em diferentes séculos um imperador (Próculo) e uma imperatriz (Messalina) de Roma, mestres-se-obra e famosos nessa tarefa - ele deflorou numa só noite dez virgens sármatas, sua cativas; mas ela efetivamente atendeu em uma noite a vinte e cinco cometimentos, mudando de companheiro de acordo com a sua necessidade e gosto;” (Montaigne, Ensaios, Livro III, cap. V).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por João Duarte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115773627499666939?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115773627499666939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115773627499666939&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115773627499666939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115773627499666939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/09/as-mulheres-no-esto-totalmente-erradas_08.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115756515311362056</id><published>2006-09-06T14:51:00.000-03:00</published><updated>2006-09-06T14:52:33.136-03:00</updated><title type='text'>“madrugramática”</title><content type='html'>&lt;em&gt;quem vai em algum lugar,&lt;br /&gt;vai para ficar...&lt;br /&gt;quem vai a algum lugar,&lt;br /&gt;vai para passeio...&lt;br /&gt;quem vai a e volta da, crase pra cá,&lt;br /&gt;quem vai a e volta de, crase pra quê?&lt;br /&gt;a idéia é corrigir os nosso erros&lt;br /&gt;a partir da reflexão sobre eles,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;disse&lt;br /&gt;o professor com voz de vinho&lt;br /&gt;no rádio a uma da madrugada&lt;br /&gt;enquanto o gato craseava a gata&lt;br /&gt;no telhado circunflexo de zinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115756515311362056?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115756515311362056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115756515311362056&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115756515311362056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115756515311362056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/09/madrugramtica.html' title='“madrugramática”'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115756359872080963</id><published>2006-09-06T14:26:00.000-03:00</published><updated>2006-09-06T14:26:38.743-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“As abelhas da espécie sôsitintu sempre vão&lt;br /&gt;olhando. As mulheres viraram e ficaram olhando&lt;br /&gt;para onde as abelhas têm sua colméia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução aproximada de canto dos índios Suyás por Anthony Seeger)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por João Duarte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115756359872080963?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115756359872080963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115756359872080963&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115756359872080963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115756359872080963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/09/as-abelhas-da-espcie-ssitintu-sempre.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115704497199625087</id><published>2006-08-31T14:20:00.000-03:00</published><updated>2006-08-31T14:22:51.996-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A ponto de partir,&lt;br /&gt;já sei que nossos olhos&lt;br /&gt;sorriam para sempre na distância.&lt;br /&gt;Parece pouco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ana cristina césar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por natércia puentes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115704497199625087?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115704497199625087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115704497199625087&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115704497199625087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115704497199625087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/ponto-de-partir-j-sei-que-nossos-olhos.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115704472789803280</id><published>2006-08-31T14:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-31T14:18:47.930-03:00</updated><title type='text'>“pulem este hoje”</title><content type='html'>hoje é um daqueles dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(quando não consegui olhar pela janela&lt;br /&gt;porque os olhos teimavam para dentro,&lt;br /&gt;quando as cortinas me xingaram nome&lt;br /&gt;se foram torturadas pela inveja do vento,&lt;br /&gt;quando ouvi os gemidos de uma índia&lt;br /&gt;nas badaladas do meu coração árido,&lt;br /&gt;quando me lembrei daquele lindo dia&lt;br /&gt;em que comemos pela primeira vez&lt;br /&gt;bobó de camarão e eu adormeci sentado,&lt;br /&gt;quando disse tantas vezes ontem que&lt;br /&gt;tudo bem, vai tudo muito bem...&lt;br /&gt;hoje percebi que sinto falta do teu abraço&lt;br /&gt;mesmo sem saber mais quem sou eu...&lt;br /&gt;tampouco onde vão dar os buracos negros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos quais sinto a tua falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115704472789803280?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115704472789803280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115704472789803280&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115704472789803280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115704472789803280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/pulem-este-hoje.html' title='“pulem este hoje”'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115696038623090352</id><published>2006-08-30T14:50:00.000-03:00</published><updated>2006-08-30T18:50:15.160-03:00</updated><title type='text'>Letras à míngua</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Literatura brasileira precisa se desvincular da idéia de nação para sobreviver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;LUIZ COSTA LIMA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que o sentido específico do termo "literatura" só se estabeleceu no fim do século 18; que foi acolhido academicamente, no início do 19, sob a rubrica de história da literatura, que a princípio acolhia apenas as antigas e a nacional; que o critério historiográfico de tal modo se impunha que Gervinus, em nome da objetividade, afirmava que, "para o historiador da literatura a estética é apenas um meio auxiliar" (1832). Sabe-se também que a reação contra essa historicização estreita se manifestara no princípio do século 20 (Croce e os formalistas eslavos) e encontrara seu auge entre os anos de 1960 e 1980. Embora o espaço do jornal não seja adequado, cabe perguntar: E entre nós? Para que a teoria da literatura se firmasse entre nós teria ela de contrariar um modo de pensar que se fixou desde Gonçalves de Magalhães [1811-82]. Em seu "Discurso sobre a História da Literatura no Brasil" (1836), a literatura era apresentada como a quintessência do que haveria de melhor e mais autêntico em um povo. E, como o país se tornara independente sem um sentimento de nacionalidade que integrasse as regiões, o serviço que ela, de imediato, haveria de prestar seria de propagá-lo. Dadas as condições de um público rarefeito e pouco culto, teria, portanto, de conter uma palavra empolgada, entusiasta e logo sentimental, que entrasse mais pelos ouvidos do que exigisse inteligência. Dentro desse circuito curto, o interesse se dirigia à formação de um Estado e pouco concernia à própria literatura. Essa conjetura, ademais, se cumpria em um século fundamentalmente voltado para o desenvolvimento tecnológico e que procurava, no campo que passava a se chamar de ciências humanas, explicações deterministas, que parecessem prolongar as causalidades deterministas estabelecidas no campo das ciências da natureza. Daí a importância que assumiria um Sílvio Romero e a timidez com que seu adversário, José Veríssimo, intentava uma aproximação razoavelmente próxima do que fosse a constituição do texto. Em suma, nacionalidade, explicação histórico-determinista, sociologismo e linguagem de fácil acesso eram traços que mantinham o fazer literário bem distante do circuito reflexivo. Tradição retórica&lt;br /&gt;A genialidade machadiana teria sofrido o mesmo ostracismo que enterrou um Joaquim de Sousândrade se o romancista não tivesse aprendido a usar a tática de capoeira nas relações sociais. Primeiro sinal de sua esperteza: não insistir no exercício da crítica. Se houvesse perseverado em artigos como seu "Instinto de nacionalidade" (1873), provavelmente teria multiplicado inimigos ferozes. Em troca, a criação da Academia Brasileira de Letras lhe punha em relações cordiais com os letrados e com os compadres dos "donos do poder". Sua salvação intelectual, no entanto, foi paga pela estabilização das linhas fixadas desde a Independência. Desse modo, não medrou entre nós nem o veio especulativo que tornou a Alemanha um centro de referência -mesmo quando, no século 18, era politicamente um zero à esquerda- nem a linha ético-pragmática que distinguiria a Inglaterra. Em vez de uma ou de outra, mantivemos, como toda a América hispânica, a tradição da palavra retórica, e isso sem nem sequer nos darmos ao cuidado de estudar os tratados de retórica. O léxico podia ser complicado, extremamente complicado, como em "Os Sertões" ou ainda em Augusto dos Anjos, desde que tudo aquilo não passasse de uma névoa, com aparência de erudita. Teoria em baixa&lt;br /&gt;Essa marca da literatura brasileira se manteve durante os anos áureos da reflexão teórica internacional (entre 1960 e 1980); quem contra ela se rebelou, como Haroldo de Campos, foi marginalizado. Ao passo que, naquelas décadas, a teoria da literatura ecoou mesmo em áreas vizinhas -a reflexão sobre a escrita da história e o reexame da prática antropológica-, em nossos dias, a teoria está em baixa. Mas isso não torna nosso caso menos dotado de características particularizadas. Embora a reflexão teórica e a própria obra literária já não tenham o prestígio que a primeira conquistara por algum tempo e a segunda mantivera desde o final do século 18, isso não impede que, no chamado Primeiro Mundo, continuem a aparecer obras teóricas, analíticas e livros importantes de literatura, enquanto, entre nós, com exceção do romance, tanto a obra poética como a teórica correm o risco de os seus títulos nem sequer chegarem ao conhecimento dos leitores; e, como não circulam, progressivamente escasseia a possibilidade de encontrarem editores. Pois à globalização tem correspondido a constituição de um abismo maior a separar o mundo desenvolvido e o resto. Tal indicador parece acentuar que o próprio estudo da literatura necessita ser reformulado; que a sua drástica separação de áreas vizinhas, sobretudo da filosofia e da antropologia, lhe é catastrófica. E isso por duas razões: por um lado, porque a literatura não tem condições de se autoconhecer -a sua região passível de ser conceituada, tanto em prosa como em poesia, é a da ficção, isto é, aquela que se define como o que é o que não é. E, por outro, é incapaz de competir com os produtos dos meios diretamente industriais ou eletrônicos. Acentuem-se duas conseqüências imediatas: (a) a escassez da reflexão teórica ajuda a que se perpetuem os juízos críticos tradicionais. O cânone literário nosso se mantém menos por motivos ideológicos do que por ausência de alternativa; (b) com isso aumenta a impossibilidade de uma comparação efetiva com obras de outras literaturas, que, então, se mantêm desconhecidas e, porque desconhecidas, aumentam o abismo entre a nossa e as outras literaturas. Há alguma coisa a fazer contra isso? Um ponto de partida cabível seria o reexame da questão da literatura nacional. Afinal, quando nos dedicamos à literatura, nosso foco principal é a literatura ou seu qualificativo, ser ela desta ou daquela nacionalidade? O conceito de nacional não tem limites? Ninguém cogita a nacionalidade do saber científico. A extensão do conceito de nacionalidade à literatura e à cultura em geral era explicável no contexto do século 19. Mantê-la, nos dias que correm, significa reduzir a literatura, no melhor dos casos, a documento do cotidiano. Mas como empreender esse questionamento sem a reflexão teórica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado pelo joão duarte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115696038623090352?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115696038623090352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115696038623090352&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115696038623090352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115696038623090352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/letras-mngua.html' title='Letras à míngua'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115652316599428363</id><published>2006-08-25T13:24:00.000-03:00</published><updated>2006-08-25T13:26:06.013-03:00</updated><title type='text'>"Dialética" (Vinicius de Moraes)</title><content type='html'>É claro que a vida é boa&lt;br /&gt;E a alegria, a única indizível emoção&lt;br /&gt;É claro que te acho linda&lt;br /&gt;Em ti bendigo o amor das coisas simples&lt;br /&gt;É claro que te amo&lt;br /&gt;E tenho tudo para ser feliz&lt;br /&gt;Mas acontece que eu sou triste...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montevidéu, 1960&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por leo marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115652316599428363?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115652316599428363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115652316599428363&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115652316599428363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115652316599428363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/dialtica-vinicius-de-moraes.html' title='&quot;Dialética&quot; (Vinicius de Moraes)'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115594272228658891</id><published>2006-08-18T20:11:00.000-03:00</published><updated>2006-08-18T20:12:02.296-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Assim se deu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exangue,&lt;br /&gt;reuni o pouco que de mim restava.&lt;br /&gt;Levantei-me impostando altivez.&lt;br /&gt;Eles a sabiam falsa (também&lt;br /&gt;a sabia eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num derradeiro gesto&lt;br /&gt;tomei lápis e papel (pediria&lt;br /&gt;ao algoz&lt;br /&gt;o jubileu):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos senhores mosquitos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imploro à vossa sensatez:&lt;br /&gt;deixem-me algum&lt;br /&gt;sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João. Agosto de 2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115594272228658891?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115594272228658891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115594272228658891&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115594272228658891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115594272228658891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/assim-se-deu-exangue-reuni-o-pouco-que.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115506628271424026</id><published>2006-08-08T16:43:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T16:44:42.726-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>conversando com o Pedro ele me perguntou se eu achava que a música (arte) tinha uma evolução clara. se a música evoluía numa linha reta. na hora eu respondi que não sabia ao certo o que eu achava sobre isso. o que aconteceu foi que tanto uma resposta positiva quanto uma resposta negativa faziam sentido pra mim naquele momento. pensando com um pouco de mais calma depois cheguei à conclusão de que não há uma evolução, mas um crescimento da música. é exatamente igual ao ser humano que não evoluí mas cresce. ele me perguntou se havia sentido hoje em dia um músico tocar be-bop por exemplo. na hora eu respondi que havia sentido como qualquer expressão “artística” tem sentido. mas eu imagino que se charlie parker tivesse sobrevivido os anos 50 ele provavelmente teria parado de tocar be-bop e feito outra coisa. foi assim com miles davis e com john coltrane. é a mesma coisa alguém compor hoje em dia com as mesmas premissas que bach usava para compor. do bach infelizmente não tem gravação, mas do charlie tem. músicos irão fazer suas interpretações desses compositores e isso será ótimo (principalmente com relação ao bach de quem não temos registro fônico e que tinha que escrever as suas composições ao contrário de charlie parker que improvisava suas composições), mas não acho que esses intérpretes façam com que a música cresça, a não ser quando eles recriam em cima desses cânones. esse é o caso do schoenberg com relação à bach e do ornette coleman com relação à charlie parker.&lt;br /&gt;resumindo: eu imagino que todo mundo queira estar fazendo algo aos seus 40 anos de idade diferente do que fazia aos seus vinte. com a música (arte) é igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luiz pretti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115506628271424026?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115506628271424026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115506628271424026&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115506628271424026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115506628271424026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/conversando-com-o-pedro-ele-me.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115505762477999023</id><published>2006-08-08T14:20:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T14:20:24.780-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os Straubs foram provavelmente os cineastas que melhor filmaram a terra. John Ford também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115505762477999023?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115505762477999023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115505762477999023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115505762477999023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115505762477999023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/os-straubs-foram-provavelmente-os.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115505757257689500</id><published>2006-08-08T14:18:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T14:19:32.620-03:00</updated><title type='text'>poeminha com rima</title><content type='html'>ela diz&lt;br /&gt;você foi um menino mau&lt;br /&gt;ele responde&lt;br /&gt;chupa o meu pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luiz pretti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115505757257689500?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115505757257689500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115505757257689500&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115505757257689500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115505757257689500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/poeminha-com-rima.html' title='poeminha com rima'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115480309155272955</id><published>2006-08-05T15:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-05T15:38:11.566-03:00</updated><title type='text'>O Desejo e a Morte</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quem me dera eu pudesse amar a Maysa.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115480309155272955?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115480309155272955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115480309155272955&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115480309155272955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115480309155272955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/o-desejo-e-morte.html' title='O Desejo e a Morte'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115454404439104141</id><published>2006-08-02T15:39:00.000-03:00</published><updated>2006-08-02T15:40:44.406-03:00</updated><title type='text'>Os observadores</title><content type='html'>estava ali contemplando para-além-de-si&lt;br /&gt;(o observador está triste)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele diz pra ele falta determinação&lt;br /&gt;ele diz pra ele pra chegar aonde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dois não sabem se riem ou choram&lt;br /&gt;os dois então fazem os dois (a um)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o observador está melancólico) os&lt;br /&gt;dois sabem os dois sabem os dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ricardo pretti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115454404439104141?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115454404439104141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115454404439104141&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115454404439104141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115454404439104141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/08/os-observadores.html' title='Os observadores'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115393262820781332</id><published>2006-07-26T13:49:00.000-03:00</published><updated>2006-07-26T13:50:28.223-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>As badaladas não coincidem&lt;br /&gt;com os ponteiros: cava-se,&lt;br /&gt;cava-se, cava-se, entretanto&lt;br /&gt;sempre falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Duarte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115393262820781332?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115393262820781332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115393262820781332&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115393262820781332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115393262820781332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/07/as-badaladas-no-coincidem-com-os.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115369840501955410</id><published>2006-07-23T20:45:00.000-03:00</published><updated>2006-07-23T20:46:45.093-03:00</updated><title type='text'>Os dentes de leite da felicidade</title><content type='html'>Me sentia escarnecido pelo sol, com os cílios indiscretos das folhas cochichando maldosamente por debaixo das sombras das árvores, às minhas costas. Foi quando me aconteceu a coisa mais estranha: cruzei no caminho com a felicidade. Vou explicar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol formava sombras rarefeitas que pipocavam sobre a minha cabeça, e em volta estava tudo completamente granulado: a areia congestionada de um lado, a redoma de fumaça do outro. Uma animosidade suspeita cobria como poeira a mobília do mundo. E a felicidade me apareceu, adaptada à silhueta de um menino magro inchado de vermes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este menino acinzentado, magreza funérea de sorriso nauseado, se aproximou de mim e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu moço, pega pra mim a rabiola, que ela ficou agarrada no galho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me estendeu uma linha de pipa com uma pedra amarrada na ponta. Eu olhei para o garoto um pouco desnorteado. Vinha tentando enganar a mim mesmo com complexidades amenas para não encarar a simplicidade avassaladora com que aquilo que nos define também nos atropela: no meu caso, uma sensação de conspiração e fracasso, que gera apavoramento e confusão mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a girar a linha presa à pedra como se fosse um pêndulo no ar. Fiz isso por um minuto, para testar as possibilidades, então segurei a linha. E olhei outra vez para o garoto, que parecia uma estátua egípcia mal conservada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A linha é muito curta – eu disse. – Não vai alcançar a rabiola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos eram duas bolotas assustadas que se mexiam sem conexão uma com a outra, o tempo todo, como dois pequenos demônios num processo de exorcismo. A boca aberta também, os dedos lambuzados de saliva dentro dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lancei uma, duas vezes a linha, em vão. O garoto me olhando quieto. Na terceira tentativa, lancei com muita força, porque já estava ficando cheio daquilo tudo: daquela criança que parecia saber dos meus segredos, me olhando fixamente sem eu saber o que lhe passava pela cabeça. E a linha acabou presa num galho. Dei um puxão e senti que ela se esgarçou até quase arrebentar. Olhei para o garoto mais uma vez. Minha testa escorria tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma fisionomia intrigante e ao mesmo tempo assustadora. Pela primeira vez reparei na longa trilha de cal que lhe cortava a barriga bichada em dois pedaços esquecidos de vida. Me olhava com olhar de ancião. Um olhar taxativo de censura e piedade. Muitas vezes recebi este olhar, sem saber como defini-lo ou rebatê-lo. Outras tantas, em sonho, tinha visto aqueles mesmos olhos presos ao rosto sem dentes de um velho desconhecido. Era a cobrança pela minha juventude desperdiçada. Por toda a negligência e pelos vícios que me desviavam do curso natural da vida. Tudo isso agora estava claro. Aglutinado naqueles olhos, dentro daquele corpo mirrado manchado de cal virgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moço, cuidado quando puxar a linha pra ela não rebentá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda por cima aqueles olhos falavam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as mãos trêmulas, forjei um sorriso. Então tomei todo o cuidado, vendo meus pingos mancharem a terra batida, e consegui desvencilhar a linha do galho. E outra vez – desta vez pensando como teria sido ser marinheiro no porto de Antuérpia – fiz o pêndulo e lancei a linha na direção do galho onde a rabiola estava presa. A pedra foi se aconchegando a cada volta ao coração da rabiola, até o paralisar totalmente. Por um momento me pareceram dois amantes trágicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei a linha com delicadeza para dar um grande desfecho àquela pequena cena. Olhei para o garoto quando lhe entreguei a linha enroscada na rabiola. E pude ver que, além de tudo, a felicidade estava trocando seus dentes de leite. Isso me deu alguma esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115369840501955410?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115369840501955410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115369840501955410&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115369840501955410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115369840501955410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/07/os-dentes-de-leite-da-felicidade.html' title='Os dentes de leite da felicidade'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115283161637983594</id><published>2006-07-13T19:59:00.000-03:00</published><updated>2006-07-13T20:00:16.393-03:00</updated><title type='text'>Testemunho</title><content type='html'>Eu vejo minha pequena sobrinha assistindo TV e penso que o&lt;br /&gt;azul que ela vê deve ser muito mais brilhante.&lt;br /&gt;Eu sei de corredores pensamentos emoções que são tão lindos&lt;br /&gt;E clamam por nascer viver morrer&lt;br /&gt;Eu tento abrir o livro ler pedaço desse livro mas é chato mas é grande e caga regra e tece o mundo o&lt;br /&gt;que eu não&lt;br /&gt;quero menos quero é um phd que teça o mundo.&lt;br /&gt;Eu olho por mim e para os outros procurando o grande salto&lt;br /&gt;o grande céu que me instigava. Eles ali buscam a âncora, mas é diferente, eles sabem o que fazem.&lt;br /&gt;Eu penso que um dia&lt;br /&gt;a coisa muda&lt;br /&gt;Ou eu encontro o ponto máximo a carne dura&lt;br /&gt;E o descanso finalmente&lt;br /&gt;Mas não existe não está porque a saída é lateral&lt;br /&gt;É lateral é lateral. A saída&lt;br /&gt;vida rica ou paz de espírito&lt;br /&gt;É lateral – a linha é dura.&lt;br /&gt;Eu sigo o meu instinto eu cresço com o mundo e o mundo fede.&lt;br /&gt;Presto mais atenção nos jornais mas o jornais não dizem nunca&lt;br /&gt;O que preciso precisamos ouvir.&lt;br /&gt;Eu sei de um pôr-do-sol de um dia aí com gente boa de quando em nunca&lt;br /&gt;ao qual eu sempre falto.&lt;br /&gt;Eu penso e sinto e converso e adivinho o horizonte tão sozinho e deslizo como&lt;br /&gt;um óleo sem sentido entre os discursos tão vazios meu instante tão adulto&lt;br /&gt;tão maduro lindo puro, &lt;br /&gt;único a pensar seriamente em fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Lohmann Couri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115283161637983594?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115283161637983594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115283161637983594&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115283161637983594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115283161637983594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/07/testemunho.html' title='Testemunho'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-115031758643594880</id><published>2006-06-14T17:39:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T17:39:46.450-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A Copa do Mundo tem mesmo uma grande magia. O país pára e não quer nem saber. Todo mundo junto para vivenciar momentos loucos de emoção. Aqueles que se limitam a constatar uma febre de alienação, de país subdesenvolvido que esquece sua dignidade e deveres políticos, deixando-se manipular pela mídia, etc etc e blábláblá, estão claramente contornando o sério e simples aspecto filosófico do assunto. A copa do mundo é graciosa, é nobre, é linda e oportuna, bem porque atenua por um mês a nossa condição de seres miseráveis nesse mundo escroto e fudido. Nesse mundo que abriga tantas outras culturas, sistemas, ideologias, religiões, etnias, síndromes, desastres, guerras, ganância, indiferença e miséria é putamerda muito normal que o valor atribuído à maior competição do esporte mais popular esteja fortemente relacionado ao status social de cada país. Nesse Brasil, que é um país de poucos, e de merda, regado de filhos da puta e sanguessugas incontáveis, alguns ricos e muitos pobres, abundante em escravidão, doença, impunidade, homicídio e abandono, muito é natural que sejamos os melhores no futebol, no carnaval, os mais festivos, pois que - seguindo a linha -  não nos faltando inspiração para a dedicação ao esporte, não nos falta igualmente o implacável narcisismo para sermos “a mais bela entre as putas do planeta”. A Copa é a grande festa. Festa essa que não é nem de longe uma fuga. É antes de mais nada um desabafo. Afirmação universal das limitações da condição humana. Daí vem a grande alegria. Poder cultivar esse sentimento conjunto de impotência, mesmo que inconscientemente, em instantes de coletividade direcionada. O buraco é mais embaixo, Arnaldo César Coelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Lohmann Couri&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-115031758643594880?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/115031758643594880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=115031758643594880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115031758643594880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/115031758643594880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/06/copa-do-mundo-tem-mesmo-uma-grande.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114989676215152009</id><published>2006-06-09T20:44:00.000-03:00</published><updated>2006-06-09T20:46:02.166-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Existe no Brasil um deslumbre da parte de quem faz cinema. No Brasil o cineasta e sua equipe são como um grupo de crianças visitando a Disney World pela primeira vez. É com esse mesmo olhar que eles olham para um set de filmagem. Quando não é assim esse deslumbre é substituído por uma pompa. Quem faz cinema no Brasil faz porque não saberia fazer outra coisa. Porque fazer cinema no Brasil é muito fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Pretti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114989676215152009?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114989676215152009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114989676215152009&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114989676215152009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114989676215152009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/06/existe-no-brasil-um-deslumbre-da-parte.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114910172449548171</id><published>2006-05-31T15:54:00.000-03:00</published><updated>2006-05-31T15:55:24.506-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Lista feita em cinco minutos dos cineastas que hoje em dia (há cinco anos atrás o godard estará aí) me fascinam.&lt;br /&gt;Critério: cineastas que eu posso ver e rever infinitas vezes sem parar de ficar suspreso e intrigado e cineastas que desenvolveram uma linguagem rigorosamente pessoal e única. Estes cineastas não estão aí pelo seu valor histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (mesmo tendo visto só 5 longas e 2 curtas)&lt;br /&gt;2- Robert Bresson&lt;br /&gt;3- Carl Th. Dreyer&lt;br /&gt;4- Hong Sang-Soo&lt;br /&gt;5- João César Monteiro&lt;br /&gt;6- John Ford&lt;br /&gt;7- Apichtapong Weerasethakul&lt;br /&gt;8- Hou Hsiao-Hsien&lt;br /&gt;9- John Cassavetes&lt;br /&gt;10- Yasujiro Ozu&lt;br /&gt;11- Stan Brakhage e Peter Kubelka e Andy Warhol&lt;br /&gt;12- Glauber Rocha e Rogério Sganzerla&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114910172449548171?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114910172449548171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114910172449548171&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114910172449548171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114910172449548171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/lista-feita-em-cinco-minutos-dos.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114902134020332157</id><published>2006-05-30T17:34:00.000-03:00</published><updated>2006-05-30T17:35:40.216-03:00</updated><title type='text'>“sou o que faltava em mim”</title><content type='html'>a primeira coisa que fiz no porto alegre, após esquecer como evacuar, foi misturar meu choro à chuva que trazia a poeira invernal no fim do outono e, em seguida, ser enterrado junto a operários uruguaios com espessas suíças e dentes tártaros nas pedras da submissão civilizada, logo após ter visto dois homens esquecerem da possibilidade íntima com línguas afiadas em gomas de cabelo estéreis, enquanto meninas pálidas de estômago envernizado me lembravam o perdão meticuloso das saias bordadas nos dentes azuis do vinho barato, metade gengivas abastadas de chances, metade placas na direção distante das ruas tomadas pela enchente positivista, ou panturrilhas flácidas cobertas de olhos tagarelas até que a argamassa secou e fiquei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...nas paredes da catacumba – como um rascunho esquecido – quente e acarpetada de pedras ruminadas pelo vento frígido, sobre as quais borbulhava e escorria o sangue da reserva especial do merlot Gambrinus, douravam-se suores acumulados na estrada asmática ainda curta, entrecortada pela areia vermelha da constipação emocional, onde havia também quadros: uma flâmula com a letra itálica de Rubias de New York – acima a foto de Gardel sem as bolas do saco e de chapéu pardo; Pablo Neruda embriagado em costeletas mortas dentro da boina listrada de avalanches, rosto congelado portanto, palmas de mão como última solução para o vento futuro; Albert Einstein sendo tão estrangeiro ali quanto eu, estranhamente, com um rabo de cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perguntei por entre a fumaça da vela fictícia, que transformava aquela masmorra num útero apodrecido pelo amarelado de fotos inimagináveis, sob a sombra de garotinhas e garotinhos góticos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“vocês têm cerveja uruguaia aqui?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Patrício, Norteña ou Pilsen”, disse o rapaz de avental escuro, com cara de meia-direita trombador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cerveja tinha 960 mililitros, o frio era menos cortante lá fora do que no meu pensamento trespassado pela vaga lembrança de dentes grandes e pernas magras, brancas e tortas, como a necessidade – enterrada em sorrisos desconexos – de que um dia houvesse uma guria frágil e que fôssemos outra vez todos frágeis e apesar de tudo isso, de dois numa só fragilidade, quando fosse, tempo verbal hesitante, teria sido insípido como uma solução incompleta de instantes endurecidos em lágrimas, mas seríamos ao menos duas metades sem encaixe juntas, embriagadas de culpas antecipadas, porque se esperaria do mundo apenas o que se espera dos anjos, e minha memória carente de boas afeições, ou de ao menos algodões, doce se voltaria para o banheiro, onde poderia ainda compreender sozinha o som do meu peito, estigmatizado de flores, no reflexo da catarata espumante do desejo latrina de mais, sem saber como por menos, por um segundo ou dois, que passaram há muito e que mais uma vez não consegui sequer exprimir com modéstia e gratidão e palavras suficientemente simples, sempre intoxicadas pelo “por que não?” nas copas dos fungos nocivos de veias rítmicas em esperas absurdas sob a chuva que copula o inverno dos corações acinzentados como o asfalto ou dentes finos de carniça e obras populares sob a placa que diz em castelhano, enquanto meu cérebro avermelha nas raízes dos tijolos incompatíveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“há o mar, há o vinho, há o céu, há o barro; mas sem ti não há o milagre”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;havia, sim, um casal feliz, bem ali: a menina, muito alta e de nariz bávaro, flutuava para dentro do bolso do rapaz leporino feito em corte numa loja de departamentos onde nascem bebês – pobre sobretudo que nos acomoda em pêlos eriçados mas recônditos – molambos ambos sem se conhecer ou se conhecendo o suficiente para serem felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro casal, ali, bem ao meu lado, quando tudo em volta era um cálculo simples para dois: a menina parecia o rapaz e o rapaz parecia interessado no outro rapaz de avental que atendia por Morrón Guantelmo, ou algo como uma rua deserta onde verdadeiros poetas morrem de frio, mas honrados, e do outro lado, no erro obediente, o romance marulhava em grená: quem sabe meu sangue ou o reflexo do sangue que escorria do meu nariz através do espelho que refletia meu pai passado apenas pelo matiz anuviado de será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de volta à realidade, foi difícil para mim, onde tudo menos paredes ou idéias borradas de norma marfim, só ligas de metal flutuantes nas pontes onde por baixo se sobe e por cima se vê o fundo das memórias fotográficas em sobrancelhas feitas de colonização alemã além do que não há mais nada que eu possa compreender agora que perdi meu travesseiro na estrada e Bob Dylan falhou enquanto o vento soprava forte e minha cabeça pende carente no que quente inventei do que vivo e os dedos doem nas teclas pardas porque faz frio e chovem facas mas meus amigos vão comigo onde de repente raízes sem caule se cobrem de uma esperança vaga – obrigado, Cartola, por tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114902134020332157?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114902134020332157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114902134020332157&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114902134020332157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114902134020332157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/sou-o-que-faltava-em-mim.html' title='“sou o que faltava em mim”'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114893907352502988</id><published>2006-05-29T18:41:00.000-03:00</published><updated>2006-05-29T18:44:33.536-03:00</updated><title type='text'>Fetichismo  de Raimundo Correia</title><content type='html'>Homem, da vida as sombras inclementes&lt;br /&gt;Interrogas em vão: - Que céus habita&lt;br /&gt;Deus? Onde essa região de luz bendita,&lt;br /&gt;Paraíso dos justos e dos crentes?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão tateiam tuas mãos trementes&lt;br /&gt;As entranhas da noite erma, infinita,&lt;br /&gt;Onde a dúvida atroz blasfema e grita,&lt;br /&gt;E onde há só queixas e ranger de dentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa abóbada escura, em vão elevas&lt;br /&gt;Os braços para o Deus sonhado, e lutas&lt;br /&gt;Por abarcá-lo; é tudo em torno trevas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente o vácuo estreitas em teus braços;&lt;br /&gt;E apenas, pávido, um ruído escutas,&lt;br /&gt;Que é o ruído dos teus próprios passos!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por joão duarte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114893907352502988?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114893907352502988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114893907352502988&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114893907352502988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114893907352502988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/fetichismo-de-raimundo-correia.html' title='Fetichismo  de Raimundo Correia'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114858045462572407</id><published>2006-05-25T15:04:00.000-03:00</published><updated>2006-05-25T15:07:34.636-03:00</updated><title type='text'>A Verdadeira Arte de Viajar</title><content type='html'>A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,&lt;br /&gt;Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.&lt;br /&gt;Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...&lt;br /&gt;Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!&lt;br /&gt;(Quintana in "A cor do invisível")&lt;br /&gt;eniviado por Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114858045462572407?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114858045462572407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114858045462572407&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114858045462572407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114858045462572407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/verdadeira-arte-de-viajar.html' title='A Verdadeira Arte de Viajar'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114841402851743286</id><published>2006-05-23T16:49:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T16:58:11.870-03:00</updated><title type='text'>Encantação do riso  de Vielimir Khlébnikov</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/khlebnikov-thumb.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 68px; CURSOR: hand; HEIGHT: 87px" height="268" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/320/khlebnikov-thumb.jpg" width="250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ride, ridentes!&lt;br /&gt;Derride, derridentes!&lt;br /&gt;Risonhai aos risos, rimente risandai!&lt;br /&gt;Derride sorrimente!&lt;br /&gt;Risos sobrerrisos – risadas de sorrideiros risores!&lt;br /&gt;Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!&lt;br /&gt;Sorrisonhos, risonhos,&lt;br /&gt;Sorride, ridiculai, risando, risantes,&lt;br /&gt;Hilariando, riando,&lt;br /&gt;Ride, ridentes!&lt;br /&gt;Derride, derridentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzido por Haroldo de Campos&lt;br /&gt;Enviado por Luiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114841402851743286?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114841402851743286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114841402851743286&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114841402851743286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114841402851743286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/encantao-do-riso-de-vielimir-khlbnikov.html' title='Encantação do riso  de Vielimir Khlébnikov'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114832853742906029</id><published>2006-05-22T17:07:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T17:08:57.430-03:00</updated><title type='text'>O trabalho de um escritor</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/buk.jpg"&gt;&lt;img style="CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/320/buk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enviado por Luiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114832853742906029?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114832853742906029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114832853742906029&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114832853742906029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114832853742906029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/o-trabalho-de-um-escritor.html' title='O trabalho de um escritor'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114832829652989304</id><published>2006-05-22T17:04:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T17:05:59.756-03:00</updated><title type='text'>“Sorte no Amor”</title><content type='html'>Me recuso a admitir que a vida seja mera casualidade. Por exemplo, outro dia. Estava sentado num meio-fio da Rua da Lapa, pensando no que tinha feito para dar errado, na mão meu coração ainda quente, e dentro de algum salão meu desamor, quando conheci um casal que passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher parecia bastante embriagada, os lábios quebradiços de tempo demais à beira do abismo, uma peruca africana dessas que se usa no carnaval – estávamos em fim de maio. Me pagou uma lata de cerveja e pegou uma para si na barraca ambulante de uma mulher a quem se dirigia como “loirona” – uma negra retinta com a boca grande que mantinha aberta, mas que raramente dizia algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem permaneceu de pé, sem sorrir, os olhos fundos e distantes, uma cabeleira de cantor de bolero desempregado, mas percebi delicadeza nos seus olhos, dor e delicadeza, porque os estranhei de imediato, e normalmente quando se estranha algo de imediato, pode ser a delicadeza à espreita. Mas a dor se sobrepunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher sentou-se ao meu lado, eu que estava com frio e suado, enxugou minha testa com seus lábios, enquanto seu homem permaneceu com os olhos no vago, em pé. Então ela me sussurrou na orelha, depois de um abraço: “sonhei contigo ontem e você era meu filho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estava em condições de dizer nada àquela altura do campeonato, zero a zero e o empate era deles, mas a mulher tinha algo nos olhos também que me impedia de olhar para outro lugar. Era como se seus olhos fossem outro lugar, um único, e aquilo me envergonhou. Talvez porque fosse vesga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro muito bem do teor da conversa. Sei que ela lacrimejava, e foi uma daquelas conversas nas quais a resposta vem antes da pergunta, como se um magnetismo devasso se infiltrasse de repente na minha alma desbotada, através dos olhos dela, reflexo dos meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo foram embora. E eu fiquei ali sentado, bebendo cerveja com loirona, que ainda me ofereceu um cigarro, depois de eu ter dito que não fumava. Disse: “guarde e dê para quem você gosta”. “Ela também não fuma, loirona”, eu disse, “mas vou guardar de qualquer forma”. Carlton curto de filtro amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bolso da minha camisa de flanela puída, tamborilante solitário, o cigarro montava uma cena tão silenciosa e irreversível que uma lágrima escorregou pelo calombo alquebrado do meu nariz velho de guerra e desilusões acatarradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sua lágrima parece uma estrela”, disse loirona sem me olhar. E continuamos a beber em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de tempo passou sem que disséssemos nada. Um casal amigo – ela que um dia tinha tentado ser minha sem ceder o mínimo – passou andando. Ele esperou do outro lado da calçada, uma sombra clara na escuridão dos tempos. Ela veio até mim. Andava como um dia eu havia dito que era bonito seu andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo bem contigo?”, perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim”, eu disse. “Essa é minha amiga, a loirona”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobrou a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei: “Você está com ele?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim”, ela disse, “por enquanto sim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gosto dele. Parece ser um cara legal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Preferia você... Se você se preferisse um pouco mais pelo menos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me virei para loirona, que tinha esticado as sobrancelhas com os olhos baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você vê, loirona, estou fadado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga aproveitou que olhei para o lado, esculhambou meus cabelos na testa e disse: “Te cuida”. Sempre o mesmo pedido, na mesma hora ingrata: desapego em forma de culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessou a rua e se encaixou nos braços do camarada que tinha uma boa cara, mas muito clara para o mundo como era. Se perderam no filete de chorume da Rua da Lapa, que leva sempre, quem ainda tem como, para longe dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loirona não olhou para mim quando disse: “Tua alma é cigana... O mundo é teu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me sentia arruinado. Mas algo aconteceu naquele instante. Como as guelras de um peixe que volta para o mar enquanto o pescador ainda ri. Uma espécie de segunda chance. Ainda vi um sujeito que parecia o que imaginava que eu seria como pai, antes de me esquecer como fui parar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, voltando do trabalho a pé, observava as pessoas apressadas nas ruas, umas tristes, outras desligadas, nenhuma alegre; mesmo as que riam, era por outro motivo, por conveniência ou constrangimento – casais de meia pessoa sob a fumaça da cidade – e eu pensava que estava talvez enlouquecendo de verdade, porque não conseguia entender minha própria língua e, portanto, o que as pessoas diziam. Como uma foto que caiu da cortiça porque a cola endureceu e rachou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na frente do cinema, vi saindo pela porta, cabisbaixo, o rapaz sério dos olhos fundos e cabeleira de cantor de bolero. Um jornal debaixo do braço e um copo de papel na mão. Pela fumaça, café fresco. Parou na minha frente. Eu tentei olhar as horas, velho truque dos encontros modernos, mas tive que parar para não trombarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Lembra de mim?”, ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos estavam congestionados, como os meus. “Foi uma dura bebedeira”, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É claro”, eu disse. “Escuta, cara, diz pra sua mulher que eu agradeço pelo que ela fez ontem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que ela fez ontem?”, ele perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na claridade do terror citadino, vi marcas e manchas no seu rosto estropiado. Parecia indefeso sob a luz desavergonhada dos postes, que riam. Mas ainda mantinha a mesma delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ela me deu uma noite a mais”, eu disse sem pensar, como faço quando falo com estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Batemos com o carro ontem”, ele disse mecanicamente. “Ela morreu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O volume da rua em volta cresceu e eu vi tudo num borrão de cinza e vermelho e amarelo. Não consegui falar, nem olhar para o rosto do homem, apenas engoli o cuspe, que não veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desculpe ter que te falar assim”, ele disse, “mas não conheço outra forma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apoiou sua mão no meu ombro, deixando o jornal cair no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhei seu jornal, cocei a barba, olhei para um lado, para o outro, e disse – não sei por quê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O amor nos traz os mortos e nos leva os vivos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginei que ele não teria ouvido, porque disse muito baixo e para dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu amava aquela mulher”, ele disse pausadamente – as pausas nos lugares errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sei”, eu disse. “Quando vocês me encontraram no meio-fio eu pensava a mesma coisa&lt;br /&gt;com relação a uma mulher. Não parece que exista qualquer solução para isso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Preciso ir embora”, ele disse repentinamente, e espremeu os lábios. Ia chorar, mas se conteve. Estávamos na saída do cinema e um casalzinho passou sorrindo, a menina soltando bolhas de sabão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo bem”, eu disse. “Não sei bem o que te dizer, desculpe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sorte no amor”, ele me disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de alguma maneira, por mais banal que possa parecer, e talvez seja no banal que esteja a verdadeira questão que relutamos em admitir (e por medo compliquemos as coisas), aquela frase acumulava tudo o que eu precisava ter ouvido em toda a minha vida.&lt;br /&gt;Virei e segui andando. Olhei para trás depois de dois segundos e o homem havia desaparecido. Havia fumaça espiralada na direção do céu de gris. Algumas pessoas comentavam num círculo sobre duas asas brancas de anjo, caídas na sujeira do chão molhado de lágrimas e podridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114832829652989304?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114832829652989304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114832829652989304&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114832829652989304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114832829652989304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/sorte-no-amor.html' title='“Sorte no Amor”'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114798474743789174</id><published>2006-05-18T17:37:00.000-03:00</published><updated>2006-05-18T17:39:07.446-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;O charme da imperfeição&lt;/em&gt; -Vejo aí um poeta que, como muitos seres humanos, atrai bem mais por suas imperfeições do que por tudo o que sai elaborado e perfeito de suas mãos- sim, a vantagem e a fama lhe vêm antes de sua derradeira incapacidade que de sua rica energia. Sua obra nunca expressa inteiramente o que ele gostaria de expressar, o que ele gostaria de ter visto: como se ele tivesse o antegosto de uma visão, nunca ela mesma; mas uma enorme avidez por tal visão lhe permaneceu na alma, e dela retira ele sua igualmente enorme eloqüência do anseio e da fome. Com ela, ele alça quem o escuta acima de sua obra e de todas as “obras”, dando-lhe asas para subir a alturas que normalmente os ouvintes não alcançam. Assim, tornando-se eles próprios poetas e videntes, tributam ao autor de sua ventura uma admiração tal, como se ele os tivesse levado diretamente à contemplação do que para ele é sagrado e supremo, como se houvesse atingido a sua meta e realmente visto e comunicado a sua visão. Sua fama é beneficiada pelo fato de ele nunca ter chegado à sua meta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em A Gaia Ciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviado por Alvaro Fagundes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114798474743789174?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114798474743789174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114798474743789174&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114798474743789174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114798474743789174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/o-charme-da-imperfeio-vejo-um-poeta.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114780070793803107</id><published>2006-05-16T14:30:00.000-03:00</published><updated>2006-05-16T14:31:47.940-03:00</updated><title type='text'>“impacientes pelo buquê do instante ralo”</title><content type='html'>São doses de álcool e eu, espinha repentina, sou portanto. Que me envergonhe de mim mesmo é o mínimo. Como posso me vangloriar do que tenho certeza? Primeiro que é ridículo gritar no vácuo. Digo: como posso dizer a palavra certeza em meu benefício? Cadafalso, cadarço juvenil, relação peso-quadril. Se a derrota não é certa na cabeça, mas conivente na atitude, que importa mergulhar nas horas que te fazem traquéia escura de sangue? Qual a relevância em pensar nas realidades inevitáveis (se criamos a realidade astuciosa em rugas)? Existem perguntas que eu faria a noite inteira, em busca de olhos vivos, ou cômodos embranquecidos para morrer em crase. Mas é mentira: olhos mortos – a criação do vento escolhe não ser areia – todos vivos apenas em frases comportamentais. Trata-se apenas de um erro típico do fim de tudo, conjugado simples como as costas dela infladas ao sono madrugado em sexo, confiscado de rito soprado pelo escudo do tempo, rajada de sem comício em lona, olho de luz branca, sem rebatedor. NÃO GOSTO DO CINEMA. Só se fala sobre isso. E se algo é sobre falado, não gosto. Me irrita falar quando morre gente preocupada em fazer carreira fantasiada de mito com cabelos escovados em naja cômica. Como se (D)ali estivesse a essência da derrota benéfica numa chave de braço (Sur)real. Mas disfarça-se a impressão de si próprio. Existe gole de conhaque que te faça santo? Não, mas, derrubado, posso lambê-lo. É isso que me importa enquanto estivermos mortos. A dose do líquido esquecida na sala branca sem quadros de nós, olhos ocos Lautrec, no passado vivo com pernas bilíngües. Paralisia infantil no sonho maternal. Linguarudos sucedidos corrigem acertos fálicos. Pessoas esperam na porta vazia dos rangedores românticos iletrados. Palavras, som e sal, corrigem arrepios natimortos. Novamente locuções de outra vez nós dois, dedicados ao esmo vesgo. Eu lambo línguas imaginando penas no banco de areia – e se não fosse o mar por qual te amo – apenas porque sei que só poderia sentir isso uma vez por mês – mesmo assim te falo coisas bonitas entre vírgulas espanholas, sendo que sou italiano falso. Escreve-se mal para se ser aceito n’aquilo que não se soube ser novo na hora que se passou errada – como se fosse possível – confortavelmente em letras. Porque se sabre pela raça humana, mato pelo quê? O que é inviável ao ego em chamas, lâmina de fio duvidoso, mas falante, na cama do fosso saudável, café-preto ralo, aperitivo ótico da beleza solitária em tábuas que falam sempre que penso amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo Marona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114780070793803107?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114780070793803107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114780070793803107&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114780070793803107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114780070793803107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/impacientes-pelo-buqu-do-instante-ralo.html' title='“impacientes pelo buquê do instante ralo”'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114775516601712208</id><published>2006-05-16T01:51:00.000-03:00</published><updated>2006-05-16T02:04:55.570-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ops....... será que vocês vão aprovar a minha intervençãozinha?&lt;br /&gt;assinado, natércia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114775516601712208?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114775516601712208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114775516601712208&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114775516601712208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114775516601712208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/ops.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114773432730049737</id><published>2006-05-15T20:04:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T20:05:27.300-03:00</updated><title type='text'>TAI CHI</title><content type='html'>Tudo, absolutamente,&lt;br /&gt;nesse mundo&lt;br /&gt;é fatal.&lt;br /&gt;Mesmo que indiretamente, mesmo&lt;br /&gt;por dizer-nos&lt;br /&gt;“tchau”.&lt;br /&gt;Sim a vida é mesmo trem intenso&lt;br /&gt;onde sou o que vem,&lt;br /&gt;onde foi-se o que incenso...&lt;br /&gt;Mar ao mar, contra-senso,&lt;br /&gt;contra-golpe mais denso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Lohmann Couri&lt;br /&gt;(&lt;a href="mailto:sergio@tentaculodf.com.br"&gt;sergio@tentaculodf.com.br&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114773432730049737?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114773432730049737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114773432730049737&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114773432730049737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114773432730049737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/tai-chi.html' title='TAI CHI'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114773420518985051</id><published>2006-05-15T20:01:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T20:03:25.206-03:00</updated><title type='text'>Um certo manifesto</title><content type='html'>1. À guisa de declaração, o assim chamado Cinema Verdade é destituído de verdade. Ele atinge apenas a verdade superficial, a verdade de quem a conta.2. Um representante bastante conhecido do Cinema Verdade declarou publicamente que a verdade pode ser facilmente encontrada quando se pega na câmera e se tenta ser honesto. Ele lembra o vigia noturno da Suprema Corte que se ressente do volume de leis escritas e procedimentos legais. “Para mim”, ele diz, “deveria haver apenas uma única lei: os vilões têm de ir para a cadeia”. Infelizmente, ele está parcialmente certo, para a maioria das pessoas, em boa parte do tempo.3. O Cinema Verdade confunde fato e verdade, e assim prega no deserto. E mesmo assim os fatos às vezes têm um poder estranho e bizarro que faz sua verdade inerente parecer inacreditável.4. Fatos criam normas, e verdade cria iluminação.5. Há camadas mais profundas de verdade no cinema e existe algo como verdade poética ou enlevada. É misteriosa e evasiva e pode ser atingida apenas por meio da fabricação, imaginação ou estilização.6. Os cineastas do Cinema Verdade lembram turistas que tiram fotos em meio a antigas ruínas de fatos.7. Turismo é pecado, viajar a pé é virtude.8. A cada ano, na primavera, montes de pessoas em trenós de neve motorizados sofrem acidentes no gelo que derrete nos lagos de Minnesota e se afogam. O novo governador está sendo cada vez mais pressionado para que se aprove uma lei preventiva. Ele, antigo lutador de luta livre e guarda-costas, tem a única resposta sábia para isso:“Não se pode legislar a respeito de estupidez”.9. O desafio foi lançado.10. A lua é tola. A Mãe Natureza não chama, não fala com você, embora uma geleira às vezes peide. E não escute o Som da Vida.11. Devemos ser gratos ao fato de que o Universo lá fora não conhece o sorriso.12. A vida nos oceanos deve ser um inferno absoluto. Um inferno vasto e impiedoso de perigo permanente e imediato. Um inferno tão grande que durante a evolução algumas espécies — incluindo o homem — engatinharam, fugiram para alguns pequenos continentes de terra firme, onde as Lições da Escuridão continuam.&lt;br /&gt;Walker Art CenterMinneapolis, Minnesota, Estados Unidos30 de abril de 1999Werner Herzog&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bravonline.com.br/noticias.php?id=1953"&gt;http://www.bravonline.com.br/noticias.php?id=1953&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;enviado por cristiano fagundes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114773420518985051?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114773420518985051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114773420518985051&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114773420518985051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114773420518985051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/um-certo-manifesto.html' title='Um certo manifesto'/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28150981.post-114771234242464910</id><published>2006-05-15T13:55:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T14:23:35.423-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>para os meus queridos amigos magrinhos e quase iguais, um presente singelo:&lt;br /&gt;caso nos percamos em alto-mar, usamos este blog de farol.&lt;br /&gt;um beijo e meu coração,&lt;br /&gt;natércia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28150981-114771234242464910?l=irmaospretti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://irmaospretti.blogspot.com/feeds/114771234242464910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28150981&amp;postID=114771234242464910&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114771234242464910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28150981/posts/default/114771234242464910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://irmaospretti.blogspot.com/2006/05/para-os-meus-queridos-amigos-magrinhos.html' title=''/><author><name>irmãos pretti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03236641404566466537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5432/2977/1600/twins.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
